Você precisa trabalhar sua criatividade (criatividade não é um dom!)

Conhece o Monty Python? Os caras foram o maior grupo de humor que já existiu. E um dos integrantes deu uma palestra sobre como a criatividade é um músculo que pode ser trabalhado. A gente ensina como num post criativamente curto, vem!

Você precisa trabalhar sua criatividade (criatividade não é um dom!)

Por Johnny Dwinell

Ser criativo não é um dom inato, que as pessoas têm ou não têm. A criatividade não é, por si só, um talento. Criatividade não tem nada a ver com QI. Criatividade é um jeito de agir.

Meu caro amigo (e colaborador do blog Disc Makers Blog) Wade Sutton me mandou um link com um vídeo do John Cleese, humorista do maravilhoso grupo inglês Monty Python, falando sobre criatividade. A palestra dele tem mais de 36 minutos de duração, e eu recomendo que você a veja, porque dá para aprender muito.

Mas, até você ter esse tempo para ver o vídeo, aqui vai um resumo do que o Sr. Cleese disse.

Criatividade NÃO é um talento

Criatividade não é uma habilidade que nasce com você, que você tem ou não tem. A criatividade não é, por si só, um talento. A criatividade não tem ligação com QI. A criatividade é um jeito de agir.

O psicólogo Donald Wallace McKinnon se dedicou a estudar os mistérios da criatividade nos anos 1970 na Universidade da Califórnia, Berkeley. Ele estudou artistas, engenheiros, cientistas e escritores. E descobriu que as pessoas consideradas “mais criativas” por seus pares tinham o mesmo QI das consideradas “menos criativas” pelos mesmos colegas.

O que o McKinnon observou foi que as pessoas tidas como mais criativas tinham uma facilidade para chegar em um estado mental que permitia à sua criatividade aflorar.

McKinnon descreveu essa habilidade como a capacidade de “brincar” e descobriu que as pessoas mais criativas tinham um comportamento “infantil”. Ele conseguiu depreender que as pessoas criativas conseguiam exploram ideias novas sem para isso ter nenhum propósito: eles estavam brincando só por brincar, para aproveitar o momento.

Na sua palestra, Cleese fala sobre outro estudo que divide as pessoas em dois grupos: os ABERTOS e os FECHADOS.

Fechado é o modo de pensar em que passamos a maior parte do tempo. Estamos fechados quando todas as ações têm uma razão: a gente vai resolver um problema. A gente é prático, pragmático e pensa como pessoas de negócios. Esse modo de pensar serve para conseguir resultados, e vem com alguma ansiedade, expectativa e pressão. A criatividade não acontece nesse modo de pensar fechado.

Aberto é o estado de espírito que permite a criatividade. Você está aberto a qualquer coisa.

Isso não é um julgamento de qual é melhor — ambos são necessários. Na verdade, você precisa estar no modo fechado para conseguir executar o que criou no modo aberto.

Aqui vão cinco sugestões que vão te facilitar entrar no modo aberto, e deixar a criatividade fluir. O Cleese já avisa que não são garantias de que você vá conseguir alguma coisa, mas são dicas que facilitam.

  1. Espaço. Para ser criativo, você precisa estar fisicamente distante da sua rotina. Você não consegue ficar brincalhão (e criativo) sob a dose normal de pressão, porque o estresse vai te colocar no modo fechado. Você precisa ter um oásis criativo.
  2. Tempo. Crie ou habite esse oásis por algum tempo. Ter horário para começar e para acabar te permite se desligar do modo fechado, em que você geralmente está.

É muito mais fácil fazer coisas urgentes (responder e-mails, telefonar, lavar roupa, fazer compras) do que fazer coisas importantes, mas que não são urgentes, como pensar.

É mais fácil fazer coisinhas miúdas que a gente sabe que vai conseguir, do que fazer as coisas maiores, que não temos certeza que vamos dar conta.

É importante reconhecer isso, porque nosso cérebro provavelmente vai começar a focar nas pequenas coisas que são alcançáveis, para evitar a fadiga que é pensar. Permita que sua mente sossegue, como na meditação.

Já que seu cérebro precisa de um tempo para sossegar e entrar no modo aberto, não separe só 30 minutos para essa atividade. Permita-se ao menos 90 minutos para esse exercício criativo.

  1. Mais tempo. Sim, um segundo “tempo” é outra categoria. Você tem de responder: “Como vou usar esse oásis que criei?”
  • É normal ficar ansioso ou desconfortável quando se está procurando a solução para um problema, tipo não ter a melodia ou o refrão de uma música nova.
  • Por causa disso, muitos artistas já abraçam a primeira solução que pinta, só para acabar com o desconforto.
  • Nos estudos de McKinnon, quanto mais tempo uma pessoa criativa se dava para “brincar” com um problema, antes de dar uma solução, melhor se saía. Eles estavam dispostos a encarar o desconforto e a aflição de não ter uma resposta por mais tempo. Então pergunte a si mesmo: você está feliz com a letra da sua música porque ela é uma solução ou porque ela é a melhor solução?
  • O Cleese aconselha você a se permitir o máximo tempo o possível para resolver o problema.
  1. Confiança. Nada vai sufocar mais sua criatividade do que o medo de cometer um erro.
  • Brincar é experimentar, estar aberto para tudo. Você não consegue brincar se ficar com medo de as coisas darem errado
  • Você está pronto para brincar ou não está. É impossível ser espontâneo e racional ao mesmo tempo
  • Para aumentar sua confiança, você precisa entender que, enquanto estiver aberto e criativo, não existe resposta errada. Não existe erro. Todas as coisas, mesmo as que parecem insanas ou sem sentido, podem te levar ao momento de inspiração que você está buscando.
  1. O humor te tira da lógica fechada e te coloca numa lógica mais aberta.
  • O humor faz as pessoas ficarem a fim, entrarem no modo aberto. O humor é tão essencial para a espontaneidade, para ser brincalhão e criativo que a gente precisa dele para resolver os problemas, não importa quão sérios sejam esses problemas.

O Cleese segue adiante, e sugere que, levando em conta o “tempo de ponderar”, você será recompensado. Em algum momento, você vai receber um presente do seu inconsciente. Talvez quando menos esperar

Também é mais fácil criar com um parceiro, ou com um grupo de pessoas. Entretanto, se uma pessoa do grupo te deixar desconfortável ou fizer você se sentir julgado, há grandes chances de você perder sua confiança, daí pode dar adeus à criatividade.

Sempre tenha uma atitude positiva e trabalhe com pessoas que sejam para cima! Nunca diga “não” ou “Isso está errado” ou “Não gosto disso”. Ache jeitos de apoiar os outros, incentivar a brincadeira e criar um ambiente em que todo mundo se sente à vontade para explorar suas ideias mais doidas.

E agora, mãos à obra!


Johnny Dwinell é um artista, produtor e empresário de Nashville que criou a Daredevil Production em 2011 para oferecer a artistas soluções inovadoras. No meio de 2013, a Daredevil Production começou um blog semanal como um recurso grátis para artistas e compositores se inspiraram, serem aconselhados, acharem apoio e conhecimento. O podcast CLIMB é produzido por Brent Baxter (um compositor de hits e ganhador de prêmios) e Johnny Dwinell, que dedica sua vida a empoderar compositores e artistas.


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