Use o poder do storytelling nas suas músicas e na sua carreira!

Histórias engajam, emocionam, prendem a atenção. Elas podem ser usadas na composição e também no marketing! Aprenda a usar o poder das histórias para compor músicas (não só letras; melodias e harmonias também) e gerar interesse nelas!

 Use o poder do storytelling nas suas músicas e na sua carreira!

Storytelling nada mais é que usar o poder da narrativa (“contar histórias”) para tornar o seu trabalho mais diferenciado e cativar a atenção do seu ouvinte. É uma estratégia bastante usada no marketing, e também na composição.

Venha a usar o poder das histórias para compor músicas (não só letras; melodias e harmonias também) e gerar interesse nelas!

Era uma vez…

Cinema, teatro e literatura não são as únicas artes em que são contadas histórias.

A música também é um instrumento poderoso para contar histórias!

Elas podem estar nas letras das músicas, nos videoclipes, nos conceitos dos álbuns, nas campanhas promocionais… Sem contar, é claro, que muitas músicas nascem de histórias, sejam elas reais ou fictícias.

Renato Russo e a banda Legião Urbana eram mestres do storytelling. Lançaram algumas das músicas “com história” mais famosas da música brasileira, como “Eduardo e Mônica” e “Faroeste caboclo”.

Engana-se quem acha que só histórias de vida profundas e emocionantes podem dar uma boa música: em 2014, a rapper Nicki Minaj lançou a divertida “Anaconda”, na qual conta histórias de vários garotos que ficaram fascinados com seus atributos físicos.

E se em uma só música é possível contar uma história, imagine em várias? O álbum é um formato super propício para fazer isso, pois há todo um conceito que pode ser desenvolvido em torno da história: design, capa, título, músicas etc.

“The Wall”, da banda britânica Pink Floyd, e “Galanga Livre”, do rapper brasileiro Rincon Sapiência, são exemplos de álbuns que contam uma história.

As músicas de “The Wall” desenvolvem a narrativa de Pink, um jovem oprimido que se torna uma estrela do rock, abusa de drogas e cria uma barreira para se isolar do resto do mundo.

Já “Galanga Livre” conta a história de um escravo que foge após matar um senhor de engenho.

         Use o poder do storytelling nas suas músicas e na sua carreira!

E quando a música é inspirada por uma história mas depois é usada para contar outra história? O DJ brasileiro Alok compôs “Ocean” inspirado pela história de uma jovem fã que morreu sem realizar o sonho de conhecer o mar.

O clipe da música, porém, narra a emocionante trajetória de um homem que encontra no seu passado as causas de conflitos do presente, com direito a um super elenco brasileiro.

A letra da música sintetizou perfeitamente o sentimento da jovem fã de Alok, mas ao mesmo tempo, tinha potencial para narrar outras histórias tão emocionantes quanto ela. Foi isso que ele fez!

Por vezes, mesmo que a letra da música não seja exatamente uma narrativa e prefira focar-se apenas em um sentimento ou um ponto de vista, o videoclipe dessa música pode sim contar uma história, com vários personagens e enredo digno de filme. É o caso de “Bad Liar”, de Selena Gomez.

 

Contando histórias para fazer música

Histórias geram interesse, prendem a atenção, geram emoção e/ou identificação. Não é à toa que elas têm sido usadas para inspirar letras de músicas há séculos.

O que você, como compositor, deve ter em mente, é que a responsabilidade de contar uma história não pode ser jogada só para a letra.

A escolha das notas e dos acordes também deve acompanhar os altos e baixos da história. Não cante os pontos mais importantes da história nas notas mais baixas, senão não vai causar o impacto desejado.

Além disso, é preciso prestar atenção ao papel que cada seção da música (verso, pré-refrão, refrão, ponte etc) desempenha na narrativa.

Em geral, os versos são usados para narrar e o refrão se encarrega de sintetizar o tema ou sentimento geral que motiva a história.

Todos sabem que o refrão é o ponto central de uma música. Mas isso não necessariamente se confunde com o clímax de uma história.

Em uma música, o refrão geralmente fica mais fácil de ser memorizado e de gerar engajamento com o ouvinte quando tem uma letra mais focada no sentimento ou ideia geral da música (repare no refrão de “Pumped up kicks”, da banda Foster the People; ou “Julho de 83”, da banda Nenhum de Nós).

Ou, ainda, o refrão pode ser focado em uma só frase de impacto que tenha relação com o clímax da história (quer exemplo mais grude que “Nossa, nossa, assim você me mata! Ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego”, de Michel Teló?).

Isso é o que costuma funcionar; mas, obviamente, não é uma regra.

Também não há problema se os refrões forem diferentes, para representar diversos estágios da história. As músicas “7 years”, da banda dinamarquesa Lukas Graham, e “Minha juventude”, da banda goiana Mr. Gyn, fizeram isso, e deu muito certo.

Um recurso bastante usado para ajudar a fazer um refrão chiclete mesmo sendo um refrão narrativo e não descritivo é usar uma frase de impacto e repeti-la diversas vezes, ou até mesmo focar na repetição de uma ou mais palavras específicas. É o caso de “Quinta feira”, de Charlie Brown Jr (“Parecia inofensiva mas te dominou, te dominou, dominou, dominou”).

Há 20, 30 anos atrás, era mais comum haverem músicas mais longas, com letras maiores e poucos ponto de impacto em termos de harmonia e melodia – como as próprias músicas da banda Legião Urbana, que nós falamos, e várias outras de Bob Dylan e outros gigantes da composição.

Mas hoje em dia, os ouvintes estão cada vez mais impacientes, querem ir direto ao ponto. Pesquisas mostram que 30 segundos é o tempo médio que um ouvinte leva para decidir se quer continuar ouvindo uma música no Spotify ou se pula para a próxima…

Então, construa bem as suas histórias, não corra o risco de ser enfadonho. Senão, sua música vai se tornar aquelas histórias de contadores de casos desajeitados: o caso pode até ser interessante, mas ninguém aguenta ouvir até o final.

 

Contando histórias para promover sua música

Se a música conta uma história, fazer um videoclipe sobre isso parece o passo mais óbvio, né? Acrescentar imagens a uma narrativa dá vida à história. Assim, os ouvintes podem se conectar muito mais com o que está sendo contado.

Mas, como nós falamos acima e demos o exemplo do clipe da Selena Gomez, o videoclipe também pode contar uma história mesmo que a sua música não conte.

Vá mais além: crie maneiras diferentes de usar uma história a favor da promoção da sua música.

Que tal fazer um post ou um vídeo da banda contando qual é a história por trás da música? Os fãs têm curiosidade de saber o que gerou a inspiração para seus ídolos comporem.

O poder do contexto musical é mesmo muito forte. O site Genius, por exemplo, começou como apenas um espaço para análise de letras de hip hop. Hoje, ele agrega informações sobre o contexto da criação de músicas de todos os estilos e está até integrado ao Spotify, permitindo que o ouvinte leia sobre a história da música enquanto a ouve.

Aliás, se você duvida do poder que uma história tem de impulsionar uma música, é só se lembrar de músicas que fizeram enorme sucesso por fazerem parte da trilha sonora de alguma novela ou filme.

Você pode licenciar sua música para que ela seja incluída em alguma trilha sonora também!

Se estiver a fim de uma parada mais elaborada, é possível bolar estratégias de marketing muito legais com o storytelling também.

O grupo sul coreano BTS é mestre nisso. Eles engajam milhões de fãs no mundo inteiro a desvendarem o mistério por trás dos teasers de seus vídeos, colocam pistas em tweets, e cada álbum traz um gancho para a próxima história que será contada no próximo álbum.

Ah, e claro, não nos esqueçamos dos shows! Se você faz o tipo mais performático, o seu show pode ser uma grande história, por que não?

As possibilidades são imensas, basta ser criativo!

 

4 ideias criativas e baratas para usar o poder do storytelling

Tá, talvez você não tenha dinheiro para fazer uma super produção como o vídeo do Alok que citamos lá em cima, ou fazer um álbum visual foda como os da Beyoncé… Mas para contar boas histórias que gerem interesse na sua música, nem é preciso gastar muito dinheiro, se você não tiver.

Confira 4 ideias simples e com custo praticamente zero para promover sua música com a tática do storytelling:

  • Postar vídeos no Youtube contando a história de uma música e falando sobre o seu processo criativo;
  • Estimular seus fãs e seguidores nas redes sociais com concursos e promoções para contarem suas histórias de vida que se relacionam com sua música, ou talvez, fazer um concurso de fanfics;
  • Fazer um show focado nas histórias de suas músicas. Já assistiu a um VH1 Storytellers? É essa a ideia. Não é preciso falar demais, até porque o foco central é a música; basta adicionar algum contexto entre cada faixa;
  • Criar uma campanha de marketing focada em uma história fictícia ou real, divulgando nas redes sociais pedacinhos da história que vão se encaixar somente quando o álbum completo for lançado.

Essas são as nossas ideias, mas com certeza você pode pensar em mais. Seja criativo e engaje seus fãs nas suas histórias!

Você já desenvolveu alguma estratégia para as suas músicas usando a tática de contar histórias? Deixe seu comentário contando essa história pra nós!