Seis coisas que aprendi vendo Chris Cornell fazer covers de músicas de outras pessoas

Ouvir o Chris Cornell fazer covers de canções de diferentes estilos pode te ensinar muito a tirar o melhor proveito das suas próprias tentativas. Não é porque você está fazendo cover de uma música que ela não pode ter o seu estilo: seis lições que aprendemos com o saudoso Chris Cornell de como fazer um cover incrível e único.

Seis coisas que aprendi vendo Chris Cornell fazer covers de músicas de outras pessoas

Por Michael Gallant

Como muitos músicos e amantes da música ao redor do mundo, eu fiquei chocado e muito triste com a morte do Chris Cornell. Seu trabalho com o Soundgarden em especial – sem esquecer de Audioslave, Temple of The Dog e seus vários outros projetos – tiveram um impacto enorme no meu crescimento musical e eu sei que suas composições, letras e poderio vocal foram uma inspiração para milhares de músicos ao redor do mundo.

Cornell pode ser mais conhecido por músicas do Soundgarden como “Spoonman,” “Outshined,” “Black Hole Sun” e “Burden In My Hand”, mas eu acho que seus covers são tesouros. Se você quer fazer uns covers de músicas e aumentar o seu repertório, ou dar a covers que você já toca um ar mais seu, dê uma olhada nas dicas abaixo, inspiradas pelas memórias de shows do grande Chris Cornell.

Comece com músicas ótimas – “Nothing Compares 2 U”

O Cornell tem predileção ṕor fazer covers de músicas atemporais, com melodias fortes e inesquecíveis. A versão acústica que ele fez de “Nothing Compares 2 U”, do Prince, é um ótimo exemplo; Cornell canta o refrão de maneira crua e de partir o coração.

Quando for trabalhar nos seus próprios covers, lembre-se que começar com uma canção ótima, uma melodia inesquecível e uma letra atemporal vai te colocar no caminho certo para um bom show de covers.

Aceite canções de todo e qualquer estilo – “Billie Jean”

Clássico de Michael Jackson, “Billie Jean” é cheio de sintetizadores, e de um estilo muito distante das músicas pelas quais Cornell ficou conhecido, mas isso não o impediu de pegar esse mega-hit e dar a sua própria cara, numa interpretação assombrosa e minimalista.

Mesmo que suas apresentações sejam focadas em metal ou reggae, jazz ou hip-hop, não pense duas vezes em dar uma olhada em canções francesas artísticas, tango, trance ou qualquer outro estilo de música para buscar inspiração. Você nunca sabe quando vai encontrar um som que vai funcionar maravilhosamente bem quando você der a ele sua vibe e seu estilo.

Desconstrua – “A Day In The Life”

Ao contrário da versão dos Beatles, que tem um arranjo rico e psicodélico, a versão de Cornell para “A Day In The Life” é a mais simples o possível— vocais doces e amargos e um violão. Esse é o tipo de som em que Cornell reina, deixando o brilho da sua voz e da canção em si brilharem sem que nada entre no seu caminho.

Tente, nos seus covers, “limpar” os arranjos o quanto puder, e veja o que acontece. Você pode ficar surpreso com o impacto do “menos é mais”, mesmo para músicas que tinham arranjos complexos na sua origem, tipo “A Day In The Life.”

Mude o tempo, o ritmo e a vibe da música – “I Will Always Love You”

O hit absoluto de Whitney Houston, “I Will Always Love You” (que foi composta e gravada antes por Dolly Parton) é uma balada poderosa do pop que deixava transparecer o alcance vocal incrível e a expressividade da saudosa Whitney, O cover de Cornell é inesperado e poderoso do seu próprio jeito — e, por mais que ele respeite a letra da música, bem como melodia e estrutura harmônica, ele mudou bastante a música para torná-la sua.

Primeiramente, Cornell muda a métrica da música, de um pop de quatro oitavas para um sentimento mais orgânico, de 6/8; ele também tira um pouco da propulsão da versão original. Por fim, a instrumentação minimalista e seus vocais guturais terminam por dar à canção uma vibe dramática completamente diferente da original.

Brinque com o tempo nos seus covers, experimente substituir uns acordes, mude o tempo completamente ou faça algo que dê a ela um sentimento novo. Acelere ou deixe mais lenta, dê um tom farsesco ou completamente sério — quanto mais você brincar com variações, mais interessante pode ficar sua interpretação final.

Chame um amigo… ou alguém da família – “Redemption Song”

O Cornell convidou a filha dele, Toni, para fazer um dueto desse reggae de Bob Marley, “Redemption Song”, nesse vídeo. Ainda que demore uns segundos para os dois vocais se sincronizarem, o resultado é maravilhoso — os vocais da Cornell filha combinam com o tom, com as inflexões e com a interpretação do seu pai, o que dá à música uma emoção legítima.

Para dar sua cara a músicas cover, convide um cantor – ou dois, ou dez – para te ajudar com a harmonia, com arranjos de interação e outros arranjos vocais interessantes. Se era uma música que você ia cantar solo, colocar mais uma voz pode te ajudar a dar uma cara nova.

Divirta-se com as letras – “One”

Essa performance cover tem uma história ótima de bastidor. Enquanto estava tentando aprender a tocar o clássico do U2 “One,” Cornell se deparou com a letra da música do Metallica que tem o mesmo nome. Só pela zueira, ele decidiu ver o que aconteceria se cantasse a letra do Metallica com o ritmo e a melodia do U2. Confira o vídeo abaixo para ver o resultado. Eu, como fã das duas bandas, senti calafrios no momento em que Cornell canta “Hold my breath as I wish for death”.


Se você vir oportunidades de brincar com mashups de letras como os feitos pelo Cornell, ou fazer outros experimentos ligados à letra, experimente e veja o que acontece — e lembre-se que quanto mais sincero e respeitoso você for na abordagem do material, mais poderoso será o resultado.

Você tem alguma dica de como fazer um bom cover inspirado por Chris Cornell ou por qualquer outro cantor ou cantora icônicos? Conte para a gente na seção de comentários, aqui embaixo.

Imagem do Shutterstock (só pode ser usada para fins editoriais).


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