5 coisas que você tem de saber antes de ir atrás de licenciamentos para sua música

Ser a trilha de abertura de um programa é só para o Zeca Pagodinho? Nada! Um monte de filme, programa e comercial precisam de músicas por dia. Mas você tem que cuidar antes de uma burocracia um pouquinho chata. Pensa na grana que isso pode te dar e vem com a gente!

5 coisas que você tem de saber antes de ir atrás de licenciamentos para sua música

Esses cinco passos podem não ser divertidos ou glamorosos, mas eles são necessários se você quiser licenciar o seu som.

Conseguir licenciar seu som para ser usado em novelas, filmes e comerciais pode ser uma tarefa pesada. Mas A ÚLTIMA coisa que você quer ter de fazer é ter tido o trabalho de compor, pesquisar, mandar e-mails, vender sua música e entrar em contato de novo para saber se as pessoas se interessaram. Tudo isso para descobrir, no fim, que o licenciamento não vai rolar porque você não estava com os direitos autorais registrados direito, e a papelada em dia.

Esses pequenos passos que vamos ensinar abaixo não são tão divertidos ou glamorosos quanto procurar lugares onde sua música pode ser usada, ou mesmo compor músicas para licenciamento, e por causa disso eles acabam sendo esquecidos no mercado da música. Mas, como você vai ver, eles são essenciais, e podem ser a diferença entre sua música ser usada num comercial ou não.

Diretores de trilha sonora e editores de música precisam de proteção legal, tanto para eles quanto paras as marcas e as produtoras para quem estão trabalhando. E isso significa que qualquer música que eles vão usar tem de estar registrada e com toda a papelada em dia. E a natureza veloz do mercado de licenciamento também exige que, às vezes, os negócios sejam fechados muito rapidamente. E, se sua música ainda estiver com registro pendente, eles vão simplesmente procurar outra pessoa.

Os passos listados abaixo são coisas que você provavelmente deveria fazer com todas as músicas que escreve e que grava, queira você correr atrás de licenciamentos ou não, mas eles se tornam especialmente relevantes quando se vai lidar com licenciamentos e outros tipos de negócios.

1. Registre os direitos autorais da sua música

Tecnicamente, você já tem direitos autorais sobre uma obra quando a apresenta de forma tangível. Mas isso não vai colar no mercado de licenciamento: eles querem algo concreto e oficial que vá dar respaldo em uma situação jurídica. E registrar sua música é a melhor prova de que você é dono dela.

Antes mesmo de você pensar em mandar seu som para ser avaliado para licenciamento, registre sua partitura e as letras na Biblioteca Nacional ou num de seus escritórios.

2. Associe-se com uma sociedade de gestão de direitos autorais e registre-se com a SoundExchange

Registrar sua música numa associação de gestão coletiva de direitos autorais é um processo separado de registrar seus direitos autorais sobre ela. As sociedades de gestão coletiva de direitos autorais não protegem a sua música, elas recolhem direitos de execução e te pagam esse dinheiro. A maioria dos diretores de trilha sonora e editores de músicas vão querer que você seja filiado de uma sociedade de direitos autorais antes de pensar em licenciar seu som.

No Brasil você pode se afiliar às associações que fazem parte do ECAD, como a ABRAMUS, a UBC, entre outras. A maioria dos países têm suas próprias associações, que você pode achar com uma busca online rápida. Escolha uma, inscreva-se como compositor e registre suas músicas.

Se você for lançar sua própria música também, trate de registrar suas gravações com a SoundExchange. Assim como as sociedades, a SoundExchange que é sediada nos EUA, mas trabalha com artistas de todo o mundo, vai recolher os direitos de execução pelo uso da sua gravação e pagá-los à você.

Além de fazer o processo de licenciamento ficar mais tranquilo, registrar seu som com uma dessas sociedades também é do seu interesse. Se sua música for licenciada e entrar num filme, comercial, programa de TV, ou for tocada na tela ou no rádio, você tem direito a receber direitos de execução pelo tempo que ela for usada. (Esse dinheiro vem além da grana do acordo de licenciamento.)

3. Limpe o uso do todos os samples

Essa é grande. Provavelmente é mais seguro não usar samples (trechos de outras músicas) na sua música como um todo, se você tiver planos de fazer licenciamento dela, mas se você precisar mesmo, eis como isso funciona. Se sua música for um cover ou tiver um sample (mesmo que seja um sample muito curtinho), você precisa ter um documento oficial te dando permissão de uso, antes de começar a pensar em licenciar essa música.

Você vai precisar dessa autorização tanto da editora da música (que tem os direitos autorais sobre a composição) e da gravadora (que tem os direitos autorais sobre a gravação original), e pagar as taxas que elas definirem.

Se um diretor de trilha perceber que você está usando um sample, ele provavelmente vai esperar até que você tenha as autorizações, e ele com certeza não quer ter que pagar uma granona inesperada para o artista dono do som.

4. Tenha a divisão da música e da sua propriedade no papel

Se você estiver escrevendo ou compondo com alguém, criar uma planilha de divisão é extremamente importante. Um documento de divisão deve descrever a quanto dos direitos da música cada compositor tem, além de informações como seus contatos, a associação de direitos autorais a que você é filiado, o editor da música e a gravadora.

Não precisa ficar assustado, isso é algo que você consegue fazer por conta própria (na real, eu tenho aqui um modelo de planilha de divisão que você pode fazer download).

Como você pode ter adivinhado, essas informações de divisão da música são importantes na hora de licenciamentos e de decidir pagamentos.

5. Metadados

Metadados são as informações que descrevem a sua música, e que você coloca junto com as faixas: coisas como nome do artista, nome do álbum, título da música, estilo do som, informações de contato, website etc. Você, basicamente, vai querer facilitar o máximo possível a vida de alguém que está ouvindo seu som e quer te conhecer.

Ter metadados nas suas músicas não vai fazer surgir uma oportunidade de licenciamento, nem perdê-la, como algumas outras das coisas que discutimos aqui, mas com certeza pode ajudar a vida de diretores de trilha na hora de entrarem em contato com você. Vai haver situações em que um diretor de trilha ou um editor vai voltar para uma música que recebeu meses antes, e precisando com pressa do contato do artista para oferecer uma nova oportunidade de licenciamento.

Depois que você tiver tudo isso resolvido, pode começar a oferecer sua música para oportunidades de licenciamento e para bancos de dados musicais, e ficar tranquilo por saber que vai estar pronto quando pintar um negócio de licenciamento.

Digo de novo, é provável que você deva dar esses passos independente de querer licenciar sua música ou não, então faça uma lista para si mesmo e use-a a cada vez que criar uma música nova.


Guia do edição musical

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