Você marcou um show. E agora?

O primeiro desafio foi vencido: você marcou seu primeiro show. Parabéns! Não precisa ficar tenso, mas e o segundo, como vai conseguir? O SomosMúsica te ajuda a dar esse passo importante na carreira com dicas de um cara que já marcou mais de mil shows

Você marcou um show. E agora?

Como divulgar e executar seu show, para ser convidado a se apresentar lá de novo

[Este post foi escrito por Alex Andrews, da Ten Kettles Inc. e apareceu antes no blog deles. Confira o novo app deles para quem quer ser compositor: “Waay: Music theory that matters” (“Waay: teoria musical que importa). Clique aqui para saber mais sobre essas aulas de música, exercícios interativos e ferramentas que medem seu desenvolvimento!]

Para a maioria dos músicos ativos, marcar um show e tocar é uma prioridade. Mas descolar essas apresentações nem sempre é fácil. Dependendo do seu estilo de música e da cidade onde você está, achar boas oportunidades de show pode ser uma experiência intimidadora. Então a gente foi ouvir os especialistas!

Lucan Wai é o dono de duas casas de show de Toronto— a The Central e a Smiling Buddha—e ele marca mais de 1000 shows por ano, de diferentes estilos musicais. É isso aí, mais de mil. A gente recentemente sentou para trocar ideia no The Central sobre shows—e você com certeza vai querer ouvir o que ele tem a dizer.

Na Parte 1 da nossa entrevista, falamos sobre como abordar uma casa de show, como conquistar um público e como bandas são pagas. Neste artigo, vamos conversar sobre como estabelecer o preço do seu show, como encontrar outras bandas para tocar com você, como descolar aquele segundo show e mais. Por fim, a gente termina a conversa com um bate-bola de perguntas para o Lucan. Você vai querer conferir isso! (O texto foi editado, por questão de tamano e de clareza.)

Bandas e o preço do ingresso

Alex (da Ten Kettles): Você tem algum conselho para bandas que estão montando suas apresentações, e querem achar outros grupos para tocar junto?

Lucan: Antes de pedir [a uma casa de shows] uma data, eu já teria uma ideia de quem estaria levando comigo. Ainda mais se você for promoter e ainda não tiver uma banda principal. Tenha uma ideia de que bandas você convidaria. Mesmo que você seja a atração principal da noite, ainda restam umas três horas. Eu gosto de saber exatamente o que estou marcando. Eu sei que é impossível confirmar bandas sem tr uma data fechada, mas, se eu tiver uma ideia de com quem você se apresentou no passado, o que funcionou para seu som, melhor. E mande links do seu som também.

Alex: OK, então é bom te procurar só quando tiver todas as bandas juntas, ou pelo menos uma boa ideia de quem vai tocar.

Lucan: Tenha uma ideia de quem você convidaria  Uma das minhas primeiras perguntas sempre será: “Quem você convidou para abrir para você?” Quando eu falar com você, quero ter uma ideia de se está preenchendo o resto da noite. Só para ter uma ideia de como vai ser, que gênero musical vai tocar nessa noite. Tenha uma ideia de quanto vai ser o preço do ingresso. Algumas bandas vão tentar pedir US$ 15 por cabeça aqui [The Central], mas para uma casa menos US$ 15 é meio salgado. Tudo bem se você tiver uma boa razão, sentir que é você quem consegue levar as pessoas para o show. Ou se for fazer um show beneficente, aí as pessoas se abrem mais. Mas o ingresso da The Central costuma ser um pouco mais baixo; enquanto o do Buddha é um pouco mais alto.

Alex: Então é para escolher o preço do ingresso que seja proporcional ao tamanho da casa de show?

Lucan: É, um pouco. Saiba o que você está fazendo. O The Buddha é mais uma “casa de show de verdade”, então você pode cobrar um ingresso de verdade, as pessoas podem vender ingressos antes. Tem muita gente que dá uma passada, podem aparecer só para tomar uma cerveja. Mas isso acontece se você está cobrando uma entrada de US$ 5. Mas, se você está cobrando US$10/15, pode ser que um cara apareça, goste da música e queira entrar. Mas ele pode estar com 4 ou 5 amigos, e nem todos eles vão querer pagar US$ 10 para entrar.

Alex: Então isso pode intimidar as pessoas que vêm da rua…

Lucan: De novo, depende de quem é o público daquela noite. Se você acha que vai lotar, eu não teria um problema com isso [cobrar um ingresso mais caro]. Mas, se você está apenas começando e prevê uma noite mais lenta, eu levaria isso em consideração.

Plateia e divulgação

Alex: Um desafio que eu venho notando nos shows é conseguir que os fãs de uma banda fiquem por ali depois que ela já tocou. Porque, se você tem 60 pessoas indo a um show numa noite, mas só 20 delas estão lá em cada horário, você nunca vai conseguir se sentir tocando para uma plateia lotada. Que conselho você daria a alguém que está marcando um show e tentando achar outras bandas, para unir as plateias e a sala ficar lotada a noite toda?

Lucan: Depende muito do artista. Muita gente convida os fãs a ficarem por ali depois, para tomar uma cerveja, já que temos um segundo andar para esse tipo de festa. Gente divertida sempre fica depois do show, toma uns drinques e vai para o segundo andar, conversar com os fãs. Eu acho que isso é sempre bom. Então acho que vale a pena dizer para as pessoas que você estará lá depois do show, e que a noite vai ser divertida. Conte para as pessoas por Facebook, ou pode até mandar mensagens por celular—mesmo que as pessoas cheguem tarde, elas vão querer ir.

Foto tirada pelo baterista Jason Lam, dos The Kettles na The Central.

Alex: Então venda a noite como uma balada, um evento mais do que um show?

Lucan: Ainda mais se você estiver começando, daí muita gente que vai aparecer são só seus amigos que estão apoiando. É mais provável que eles apareçam. E também vai ter gente que vai estar lá só pela música.

Outra coisa, quando as pessoas perguntam sobre os horários dos shows, eu as incentivo a chegar cedo e ver tudo, apoiar todas as bandas. Vai ser um bom line up. É claro que o promoter vai ter que oferecer horários definidos, mas ainda mais quando estamos lidando com bandas menores, aqui [no The Central] a gente é flexível com isso. Enquanto no Buddha vai rolar uma passagem de som e a gente vai pedir horários e cumpri-los. Mas aqui é mais informal. Se você estiver atrasado ou adiantado e quiser trocar de lugar com outra banda, a gente não vê problema.

Alex: Você tem dicas de como levar as pessoas para o seu show, especialmente para bandas novas?

Lucan: Eu acho que quanto mais divulgação melhor. A coisa mais rápida e fácil de se fazer é criar uma página de evento no Facebook e pedir que todo mundo saia por aí convidando. Eu estou sempre no meu telefone, tô no Facebook todo dia. O jeito mais fácil de chamar minha atenção é pelo Facebook, me mandar um convite, me lembrar, esse tipo de coisa. Eu acho que pôster é bom, mas se for para ser realista, você tem de imprimir um monte de pôsteres e colocá-los por aí para atingir as pessoas que não estão no Facebook.

Seu segundo show

Alex: Então, uma banda chega para fazer seu primeiro show.  O que vai transformar esse primeiro show num segundo show? O que te faz dizer “eu quero essa banda de novo”?

Lucan: O único motivo que me faria não convidar uma banda de novo é se eles destruírem equipamento—ou faltarem com profissionalismo, ofenderem meus funcionários. Às vezes acontece de alguém dizer algo que ofenda minha equipe. Ou se disserem algo sexista, misógino, racista ou homofóbico no palco. Mas, se você não se prestar a esse papel… Tipo, dizer que uns integrantes da sua banda têm 19 anos, mas eles têm 18 [19 é a idade mínima para comprar bebida em Ontario], isso vai ser levado em conta da próxima vez

Mas, se você não conseguiu lotar a casa, pode ser que eu não te dê uma sexta à noite, mas tentaria te encaixar num dia de semana. Ou achar uma casa de show menor. Ou, se eu achar que o Buddha era um pouquinho grande demais para você, podemos tentar a The Central.  O The Buddha também tem um porão, ótimo para shows menores. A gente faz apresentações acústicas, menores, aqui em cima [no The Central] também.

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Alex: Isso acontece com frequência?

Lucan: Não, não é com frequência. Eu consigo lembrar de todos os casos praticamente [risos]. Não acontece com frequência, é raro.

Alex: Então, no geral, seu conselho para as bandas seria…

Lucan: Comportem-se. Mas, sim, se você não conseguir atrair público nenhum, não tenha medo. Você não vai entrar para uma lista negra nem nada

Alex: Só talvez não vai tocar nas melhores noites…

Lucan: Ou eu talvez conversaria com você: “Quer saber, talvez a gente possa mudar algumas coisas da divulgação, fazer as coisas de um jeito diferente”. E não é só uma banda, você marca com 3 ou 4 bandas por noite. Então há vários fatores. Todo mundo pode ter se agilizado, todo mundo pode ter feito sua parte, mas alguns dias têm muito mais coisa acontecendo. O clima também tem um papel importante. E tem dias que não dá para saber.

Bate-bola!

Alex: Qual é a primeira coisa que uma banda tem de fazer ao abordar uma casa de show, para conseguir sua primeira apresentação?

Lucan: Eu diria: mande links com seu som. Eu quero ouvir antes.

Alex: Qual é a coisa mais importante que uma banda tem de fazer para ser convidada a fazer um segundo show?

Lucan: Ser profissional. Apareça antes da hora, ou pelo menos a tempo do show. Faça o que puder para divulgar. Se você trouxer seu próprio público, vai ser incrível. Mas eu não deixaria de te convidar de novo se não aparecer muita gente.

Alex: Qual é o número ideal de bandas e a duração de cada show, para alguém que está armando sua primeira noite?

Lucan: Eu diria que shows de 45 minutos de 3 ou 4 bandas, depende da noite. Eu acho que 3 ou 4 bandas está bom.

Alex: Se você pudesse dar um conselho, qualquer conselho, a bandas, qual seria?

Lucan: Sigam em frente, deem seus pulos e sigam em frente. E é isso!

Alex: Onde as pessoas podem achar mais informação sobre The Central, Smiling Buddha e Lucan Wai?

Lucan: Aqui vão os links para os nossos sites, onde há formulários para bandas que queiram tocar lá: Smiling Buddha, The Central. É só preencher a ficha, coisa simples. Nome, número de telefone, links para o seu som e uma boa descrição de qual é a sua! Você também pode nos achar no Facebook (Smiling Buddha, The Central), Instagram (Smiling Buddha, The Central) e Twitter (Smiling Buddha, The Central).

E acabou.

É isso aí! Um grande valeu ao Lucan Wai por ter compartilhado com a gente seus ótimos conselhos para bandas e músicos. Se você ainda não fez isso, confira a Parte 1  da entrevista.

Ah, e mais uma coisinha: no Canadá, uma entrada de $6 ou mais te dá direito a receber direitos da SOCAN, desde que você esteja tocando seu próprio som. (Algo em torno de $50 por show, mas varia.) Leia mais sobre isso aqui. Esse é um ótimo jeito de aumentar sua renda com shows, e $6 é um preço bem razoável para bandas que estão começando!

Boa apresentação!

Sinceridade total: eu tive a sorte de tocar nessas duas casas de show algumas vezes nos últimos anos.

Biografia do autor: Alex Andrews é engenheiro, músico e toca a  Ten Kettles Inc. em Toronto, Canadá. A Ten Kettles é uma empresa de apps para artistas independentes, com aplicativos voltados a educação, inclusivo o Waay para compositores e teoria musicla, o hearEQ para treinar seus ouvidos, e o lançamento BeatMirror, para controle do tempo das músicas

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