Turnês tradicionais ainda fazem sentido para artistas independentes?

Todo artista tem de ir aonde o povo está, já dizia o Milton Nascimento. Mas isso faz mais de 30 anos, e hoje em dia há novos jeitos de viajar tocando. Conheça no Blog CD Baby a nova turnê

shutterstock_180210833[Este post foi escrito pelo colaborador Jason Schellhardt, escritor de música no Rukkus.] Poucas coisas no mercado da música são mais hipervalorizadas do que o guerreiro que sobreviveu à estrada. A velha narrativa do rock sugere que ser um músico significa sair em turnês que duram meses,  conseguindo se apresentar em qualquer mercado que esteja no caminho. Este costuma ser o jeito mais eficiente de ganhar fãs fora da sua cena local, mas, como aconteceu com a maioria das coisas na indústria da música, a internet mudou isso. Marcar turnês que cruzam o país todo não faz mais sentido para artistas independentes. As vantagens das redes sociais foram bem documentadas quando se fala de artistas independentes. As redes sociais permitiram que artistas entrem em contato entre si, com fãs, com a imprensa, com gravadoras e por aí vai. Os artistas podem gravar uma música em casa, colocar no seu SoundCloud e compartilhar via Twitter ou Facebook sem precisar ter os meios de produção ou de distribuição. Enquanto isso foi um avanção para o artista independente, há outra vantagem desses novos meios que geralmente é ignorada. Enquanto é ótimo saber quem está ouvindo seu som ou seguindo sua banda, também é importante saber onde essas pessoas estão. Brett é uma banda de indie pop baseada em Washington D.C. com uma perspectiva única desse assunto. Ainda que a Brett seja relativamente nova, todos os membros têm histórias com turnês pelo país em grupos de que fizeram parte no passado. Eles já viram os prós e os contras das longas e caras turnês tradicionais e o novo tipo, que é focado e custa menos. Numa entrevista com DMVicious no ano passado, o guitarrista Kevin Bayly e o vocalista Mick Coogan explicaram como turnês com datas marcadas viraram algo um quê contraproducente para novos artistas. “Todo esse conceito de promover uma banda pulando numa van e tocando pelo país é ridículo hoje. Ficou para trás. Costumava ser assim”, disse Bayly. “Fizemos isso quando éramos jovens, era isso que precisávamos fazer para nosso nome ficar conhecido e conhecer novas pessoas. Agora é tudo online. É tudo mais barato e você acaba fazendo shows melhores do que Jarinú, no interior de SP, numa noite de segunda.” “No ano que vem tocaremos em Washington, Nova York e Los Angeles. Esses são os mercados mais importantes para nós”,  disse Coogan. Ao prestar atenção de perto à movimentação da banda na internet, Brett conseguiu descobrir quais são os mercados mais importantes para a banda e focar sua atenção em plateias que já sabem estarem interessadas pelo trabalho da banda. As vantagens desse método são muito maiores que as desvantagens para uma banda nova que está buscando se estabelecer. Uma vez que a banda tiver conseguido fãs online e nos seus mercados-alvo, turnês nacionais fazem bem mais sentido. Mas, até lá, é jogar o dinheiro da banda pelo ralo. Aqui vão umas dicas geo-localizadas de como achar o mercado-alvo da sua banda: 1. Construa uma presença forte nas redes sociais e preste atenção a todos os seus seguidores. Esta parece óbvia, mas é um recurso muito valioso. Descubra onde seus seguidores moram e se há algum fator em comum entre todos eles. Se você notar um bocado de fãs no mesmo lugar, é capaz que haja o que ver lá. 2. Cuide do seu site e veja as informações analíticas de acessos. Como usar as redes sociais, usar Google Analytics ou ferramentas similares para monitorar seu tráfego na web podem dizer de onde cada clique vem. Muitas bandas jovens não cuidam de seu site para em vez disso cuidar do Facebook e do Twitter, mas todos são igualmente importantes. 3. Monitore qualquer menção que a mídia possa fazer a você. Outro fator decisivo no sucesso da sua banda na internet depende de quanta publicidade online consegue. Monitore qualquer site ou blog que poste sua música e descubra se essa página é focada em uma região geográfica específica. Você pode programar um Google Alert para fazer isso ficar mais fácil. 4. Construa relações com a imprensa em áreas que te interessam. Além do dito no último item, você tem de procurar blogs que são famosos para certos mercados e tente arranjar cobertura para a sua banda. Este passo será mais útil para você se você já tiver definido algumas áreas de interesse em que você quer focar. 5. Preste atenção em artistas parecidos com você. A imitação é uma arte mais antiga que minha avó nesse mercado. Ache uma banda com som parecido com o seu, mas que é mais famosa,  e olhe para os mercados onde eles fizeram sucesso. É provável que você vá encontrar sucesso lá também. Cada banda é diferente da outra, e o que funciona para uns pode não funcionar para os outros, mas essa estratégia de geolocalização é um ótimo começo para quem está buscando ampliar seu fã-clube para além da cidade onde começou. No mínimo, essa estratégia vai evitar que você torre um caminhão de dinheiro para acabar tocando num bar vazio de Jarinú numa noite de segunda-feira. O que você acha de fazer turnê? Ainda é essencial para bandas novas? Como seus pensamentos sobre turnês mudaram com o tempo? Conte para a gente na seção de comentários, aqui embaixo.

2 Comentários

  1. 7estrelobrasil@gmail.com'
    by Andre lanari 7 Estrelo on novembro 6, 2014  11:39 Responder

    Achei o artigo bem interessante mas descordo em varias partes dele.
    Por experiencia propria e por estudos tambem, na minha opniao, eu acho o seguinte:

    -O artigo não coloca que a turnê rodando o pais, por exemplo, pode ser feita utilizando os mesmo recursos que uma turnê mais pontual. Pode se utilizar os mesmos recursos na web pra planejar de uma maneirá bem sistemica umá turne por todo pais ou paises. Ex.: estou planejando uma turnê para rodar a america do sul com minha banda, bem parecido com que faziam antigamente, porem, estou conectando com pessoas no Brasil, Peru, Argentina e Chile para tirar mais proveito dessa turnê. Ano passado fizemos isso, uma turnê na Argentina. Fomos de carro com apenas 3 shows marcados e quando chegamos la, fechamos mais 5 shows e 3 entrevistas em radio. Fora isso devemos lembrar quando lugares carentes de cultura e internet no meio do caminho, se tivessemos aproveitado isso, a turnê seria um sucesso maior ainda. Fizemos tb um financiamento coletivo no catarse, com sucesso. Pesquisem, 7 estrelo na argentina catarse.

    - No ultimo ano, tentamos focar numa pegada bem parecida que sugere este artigo acima. Fizemos pouquissimos shows, alguns deles tb foram vazios e frios, e as pessoas que conectam somente por internet, nao ficam conhecendo a essencia da banda... Acho um contato muito frio fazer uma presença forte na web se, tocar tanto.

    - Devemos lembrar tb que as vezes tocando la naquela cidadezinha no interior, carente de cultura, a possibilidade de conquistar fans de verdade é bem maior que nas cidades grandes, onde vc é só mais um.

    Bem, essa é minha opniao. Minha banda , 7 Estrelo, vai começar em 2015 uma turnê mundial de lança,ento do novo disco. A pegada sera hibrida... Vamos trabalhar na moda antiga, rodando de carro por muitas cidades e paises( tudo previamente web planejado) e shows pontuais, pricipalmente aproveitando os editais de intercambio e incentivo a cultura. O plano é rodar mais de 20 paises por terra, ceus e mares.

    Gosto muito dos artigos que recebo da Cdbaby, parabens pela iniciativa.

    Andre lanari
    7 Estrelo
    Www.7estrelo.net

  2. Pingback : Você deveria estar numa turnê: por que bandas têm de gastar um bom dinheiro para tocar em casas meio vazias em cidades pequenas por todo o país - Somos Musica

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