Saia em turnê às 7 da manhã (você vai chegar em casa para o jantar)

Volte pra escola! Você pode até sair com o bolso cheio: o SomosMúsica dá a palavra para um músico especializado em fazer shows para públicos que vão de 4 a 16 anos. Ele conta as delícias (e as durezas) de tocar para a molecada

Saia em turnê às 7 da manhã (você vai chegar em casa para o jantar)Pra mim, começou muito cedo – por volta das 7h30 – no ginásio (com iluminação péssima) de uma escola católica. Eu estava substituindo outro músico que tinha precisado viajar, e completando um trio que visitava escolas fazendo shows educacionais.

Foi estranho já de cara para um músico que estava acostumado a tocar os primeiros acordes de um show às 22h ou 23h. (Os bares ficam abertos até as 4h da manhã em Buffalo, NY…).

A gente montou os amplificadores, eu ensaiei minhas novas falas, recém-aprendidas (ueba!), e também toquei umas músicas que eu mal conhecia, enquanto me perguntava por que eu tinha me metido naquilo (e como uma sala lotada de crianças ia reagir ao meu show).

O que no começo me pareceu um jeito esquisito de fazer música, entretanto, rapidamente virou uma coisa que eu acharia essencial  – a plateia “curtiu” desde o começo (não foi preciso nem ter happy hour de drinks), os professores se mostraram gratos por ter um show que era divertido e ao menos um pouquinho educacional. Eu estava ali, aprendendo ter várias habilidades mercantilizáveis e as horas que passei lá foram ficando mais vivazes conforme eu saía da solteirice e virava o cara com esposa-filhos-e-casa.

Ah, e tem mais essa – eu estava ganhando mais dinheiro até meu horário de almoço do que eu conseguiria dando aula de guitarra e bandolim um dia inteiro E AINDA tocando à noite.

Vinte anos depois, tocar em escolas (ou “arte educação”, como às vezes chamam) virou não só meu ganha pão, mas o trabalho mais recompensador que eu fiz como músico profissional.

Você já pensou em fazer shows em escolas?

Eu nunca tinha pensado, na verdade. Até lembro de um aluno meu de violão me dizendo que isso tinha virado um bom caminho profissional para músicos que queriam ter uma vida mais caseira. Mas parecia muito distante da minha experiência, então eu descartei essa possibilidade.

Se você está no mesmo barco em que eu estava, aqui vão algumas dicas iniciais para fazer essa roda girar. Eu também vou colocar, no fim deste post, um link com dicas mais aprofundadas para quem quiser levar essa conversa adiante:

COISAS A SABER:

  • Os professores estão apertados de tempo, e muitas escolas estão apertadas de grana para fazer essas atividades “extras” acontecerem. Apesar de tudo isso, eles entendem que artes conseguem motivar seus alunos de um jeito que nenhuma outra matéria consegue. A solução? Ligue seus shows a algo que eles já estejam estudando.
  • Engajamento é tudo – você vai querer que sua platéia não só absorva o que está passando, mas que vire uma parte do seu show também. O quanto mais você conseguir fazer isso, mais shows vai conseguir marcar depois.
  • Criancinhas (do maternal à segunda série) são abertas a novidades e bem bobinhas – faça um show bem ligeiro e com muitas coisas para eles fazerem (movimentos com as mãos, partes para cantar etc), e evite perguntas abertas a todo o custo!
  • Crianças da educação fundamental (da terceira à quinta série) são bem divertidas – elas ainda são crianças, amam dar risadas e têm ideias ótimas. Elas ainda curtem cantar na frente dos amigos (pelo menos até a quinta série, em média), e adoram charadas.
  • Ensino primário (da sexta à oitava série) – você lembra desses anos, não? Difíceis para muitas crianças. Tudo está mudando e a ÚLTIMA coisa que você quer parecer é uma pessoa que não é bacana. Não chame eles para cantarem junto nem faça muita coisa até você ter quebrado o gelo com humor ou algo musicalmente desafiador. Ou os dois, de preferência. A partir daí, eles são seus. Leve para o palco quem se candidatar, para fazer graça de si mesmo (tem sempre alguns…) e a vibe de todo mundo vai melhorar.
  • Ensino médio – A partir do primeiro colegial, a criançada começa a parar de se importar com ser julgado e começam a aceitar quem eles são. Eles são inteligentes e até capaz que se interessem pelo que você vai apresentar. Trate eles como adultos e vá sentindo as reações.

Como conseguir marcar shows?

Alguns artistas mandam folhetos para o diretor da escola ou para o escritório central. Outros mandam e-mails para as organizações de pais (PTO/PTA/HSA/etc, nos EUA), que podem (ou podem não) serem as responsáveis por marcar as atividades culturais. Eu gosto de ligar meus shows ao currículo da cada série e fazer propaganda direto para os professores, por email. Professores de música às vezes se envolvem no planejamento das visitas de artistas convidados. Podem haver organizações culturais que te ajudem a entrar em contato com as escolas. Moral da história – como todos os outros trabalhos que você faz, não há um só jeito de conseguir marcar shows. É um processo longo e gradual. Construir uma lista de contatos é fundamental.

Quanto cobrar?

O quanto você precisar. É verdade que, quanto menor for seu custo, mais shows em escola você pode conseguir. É verdade também que músicos especializados nesse tipo de trabalho, nos EUA, estão ganhando de US$500 a US$1.000, ou mais, para um show de 45 minutos. Algumas escolas gastam milhares de dólares em programas anuais de arte-educação; outras já se consideram sortudas por conseguir US$ 300 para um show só durante o ano letivo. Decida o quanto você precisa ganhar para esse negócio fazer sentido e seja firme com seu preço.

Você Tem de Fazer “Música Infantil”?

É claro que não. Você tem de fazer música para criança. Há aí uma grande diferença. Tem vários jeitos de adaptar as músicas que você toca agora para um público escolar – de novo, sua preocupação tem de ser de trazer esse pessoal para perto da música e ajudá-los a participar do som. Depois, quando você estiver se estabelecendo e conseguindo fazer seu marketing nas escolas, é provável que você vai querer montar uma nova apresentação ao redor de algum tema que seja mais caro a esse público.

Eu dediquei mais recursos para fazer um texto mais profundo sobre o assunto – o que fazer num show escolar e como fazer o marketing dele. Você pode achar este texto aqui, em inglês: How To Get Gigs in Schools

Você trabalha em escolas? Tem interesse em experimentar? Vamos conversar na seção de comentários, aqui embaixo.


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