Músicos Independentes Encontram Pagamentos Inesperados no “Streaming”

Sem nem ter Spotify, Perrin Lamb começou a receber mensagens: era um sucesso no serviço de “streaming”, onde sua música foi tocada milhões de vezes, rendendo a ele mais de R$ 160 mil. O New York Times contou sua história, e o que a CD Baby fez por ele

Músicos Independentes Encontram Pagamentos Inesperados no “Streaming”“Everyone’s Got Something”, música de Perrin Lamb, foi ouvida milhões de vezes no Spotify, e ele lucrou mais de US$ 40.000 (R$ 160 mil) com ela.

Por BEN SISARIO (Este post foi publicado originalmente no NY Times. Ver o texto original aqui.)

No começo do ano passado, Perrin Lamb, um cantor e compositor que mora em Nashville, nos EUA, e que não tem contrato com gravadora, começou a receber todo tipo de mensagem estranha no Twitter. Fãs que ele nem sabia ter, às vezes escrevendo em línguas que ele não falava, diziam que amavam ouvir a canção “Everyone’s Got Something” no Spotify.

O senhor Lamb — que não usava Spotify — ficou sabendo rapidamente que “Everyone’s Got Something” estava numa playlist popular do serviço, e estava sendo ouvida aos milhões. No fim do ano, a música havia sido escutada 10 milhões de vezes, o que rendeu a Lamb mais de US$ 40.000 (ou R$ 160 mil).

“Uau”, ele lembra de ter pensado na época. “Eu devia mesmo fazer uma conta no Spotify.”

O Spotify e outros serviços de “streaming” como o Pandora estão com frequência na mira de ataques dos músicos ou de seus representantes, sob acusação de pagar royalties baixos demais ou de falhar em pagá-los. Nesta semana, o Spotify removeu milhares de músicas da gravadora de punk Victory Records depois de acusações de que não havia pago os royalties a ela.

Mas o senhor Lamb, 39, é o exemplo de uma classe crescente de músicos que estão longe de serem estrelas — ele ainda tem um trabalho fora da música para se sustentar— mas que às vezes conseguem amealhar algum dinheiro com “streaming”. O crescimento de “playlists” e a popularização das redes sociais significa que uma música desconhecida pode aparecer de repente para um usuário, ser ouvida, compartilhada e salva. Cada vez que ela é ouvida, o artista ganha uma fração de centavos.

A viabilidade financeira do “streaming” ainda está em constante debate nas rodas do mercado musical, especialmente porque o “streaming” começou a substituir as vendas de CD e de downloads, que eram mais lucrativas.

“Pensar que US$ 40.000 são suficientes para compensar mais de dez milhões de execuções é uma lógica trágica”, diz Mike Doughty, um cantos e compositor que era o homem à frente da banda Soul Coughing e que se tornou um comentarista frequente dos problemas da música na era digital.

O senhor Lamb se beneficia de uma estrutura de negócio que leva músicos independentes a trabalhar fora do esquema habitual das gravadoras. A música dele é lançada pela CD Baby, uma distribuidora que cobra dos seus clientes US$ 49 (R$ 200) para representar e distribuir um álbum, além de 9% das vendas digitais em lojas como iTunes, Spotify e Rhapsody. Esse tipo de acordo dá aos músicos uma porcentagem muito maior do que eles ganhariam num contrato com uma gravadora comum.

Tracy Maddux, o executivo à frente da CD Baby, afirmou que no ano passado a empresa pagou aos seus artistas US$ 55 milhões (mais de R$ 220 mi) em usos digitais de suas músicas, e que a história do senhor Lamb não era um ponto fora da curva. “Nós temos centenas de clientes que ganham quantias como essas anualmente”, disse Maddux.

“Há um ecossistema de artistas independentes que estão repensando o jeito que negócios são feitos”, afirmou o senhor Lamb. “Eu tenho amigos que ganham muito dinheiro com o YouTube, com venda de discos de vinil e com shows caseiros. Há tantos outros jeitos de fazer dar certo, além do modelo tradicional.”

“Everyone’s Got Something” foi lançada em 2011 como faixa do álbum “Back to You”, de Lamb. Doug Ford, um programador que trabalha no Spotify, disse que o algoritmo da empresa recomendou a música quando ele estava criando “Your Favorite Coffeehouse,” uma coleção de músicas feita para evocar a sensação de “se sentar numa poltrona confortável bebericando um latte.” Essa playlist se tornou uma das mais populares do Spotify, com mais de 1,3 milhão de seguidores.

Depois que “Everyone’s Got Something” decolou, outra das músicas de Lamb, a mais animada “Little Bit”, foi inserida na playlist “Mood Booster”, também do Spotify. Somadas, as duas músicas foram tocadas mais de 24 milhões de vezes.

O senhor Lamb afirmou que os royalties de “Everyone’s Got Something” e de “Little Bit” lhe deram “um pouco de segurança”. Mas que o “streaming” segue sendo apenas uma parte da sua carreira. Seu emprego é na Sorted Noise, uma empresa de Nashville especializada em conseguir inserção na TV e no cinema para músicos, um processo que ele afirma permear suas composições.

“Minha música entra na cena em que o cara está indo embora, debaixo de chuva, e a garota está chorando”, diz ele.

Lamb cresceu no Mississippi e se mudou para Nashville em 2001, e continuou à margem do mercado musical quando por lá. Mas isso pode tê-lo ajudado mais do que atrapalhado. Já que Lamb nunca havia assinado um contrato com uma gravadora ou com um publicador de música, ele manteve todos os direitos sobre sua música.

“Ninguém nunca me ofereceu nada”, ele disse.

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1 Comentário

  1. matela_4@hotmail.com'
    by Maria estela Padrón castro on novembro 2, 2015  20:00 Responder

    Quiero participar fui abandonada desde bb me adoptaron murio mi mafre estudie musica y esta es mi vida y muchas cosas mas...

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