Entrevista Tito Marcelo

Você sabia que o Tito Marcelo é artista da CD Baby? Confira a entrevista para sua história e dicas sobre como fazer sucesso como músico independente

UnknownMarcos Chomen da CD Baby entrevistou Tito Marcelo, artista da CD Baby,  sobre sua carreira musical – Confira abaixo!

1. Tito, o iTunes acabou de escolher sua música como Single da Semana em destaque na capa do iTunes. Qual foi sua reação? Como você vê o mundo de música digital?

Achei incrível! Quando o iTunes entrou em contato comigo, dizendo que eles estavam curtindo minhas músicas e que gostariam de promovê-las, fiquei até um tanto impressionado por saber que eles realmente ouvem o que estão vendendo. E fiquei muito feliz com isso! É muito bom saber que as pessoas estão gostando das músicas que faço!

O iTunes é uma plataforma mundial, muito poderosa, e o interesse deles em destacar, promover e divulgar minhas músicas faz com que muitas outras pessoas possam conhecer meu trabalho e com isso, quem sabe, até passem a gostar também.

E é justamente essa capacidade de maior exposição que considero, não só uma das boas novidades que o mundo da música digital nos trouxe, mas também um grande benefício para os artistas que não têm, tão facilmente, uma maneira de mostrar suas músicas para um grande público.

Outra coisa que a gente nota, é como toda essa tecnologia que hoje envolve a música digital possibilitou também uma solução bem legal para uma das grandes necessidades das pessoas: a mobilidade.

O fato de você poder ouvir as músicas que você quer, em qualquer lugar, a qualquer hora, dependendo apenas de simples, pequenos e baratos dispositivos é maravilhoso! Por causa disso, acho que essa é a época em que mais se ouve música na história da humanidade.

A tecnologia conseguiu diminuir muito a relação de dependência entre a música gravada e sua mídia física de registro, permitindo às pessoas levarem todas as suas músicas para onde forem, sem que ocupem espaço físico algum. Poxa, e isso é muito bom!

2. Há quanto tempo você está na estrada? Conte um pouco de você, de sua trajetória e das dificuldades que encontrou no caminho.

Desde muito novo que tenho contato com a música. Meu avô era maestro, meu pai é músico, então não tinha como não crescer ouvindo muita música. Mas eu nunca estudei música pra valer. Aprendi a tocar violão, e sempre gostei de tocar e cantar com amigos. Lá em Recife, cheguei até a tocar em algumas bandas também, mas nada profissionalmente.

Mas foi só no final de 2010, e de maneira totalmente despretensiosa, que comecei a compor. Não sei explicar bem o que me levou a isso, mas parecia uma necessidade mesmo. Fazer música! Sei lá, tipo o Forrest Gump, do filme, que simplesmente decidiu, aparentemente sem sentido algum, começar a correr (Risos). Então, eu simplesmente decidi começar a compor!

Então, quando mostrei algumas de minhas músicas ao Renatinho, um amigo de infância lá de Recife (Renato Fonseca, músico e arranjador pernambucano, radicado no Rio de Janeiro), ele me propôs fazermos um disco, o qual ele mesmo produziria.

Cara, eu fiquei muito feliz com isso! Especialmente porque o Renatinho é um grande músico, que sempre admirei, e de quem sou muito fã! Desde então, trabalhar com ele tem sido um enorme prazer e uma grande honra pra mim! Além dele, toda a galera que trabalha gravando com a gente, o André Vasconcellos, o João Viana, o Vinicius Rosa, o Marcelinho Martins, o Lui Coimbra, dentre outros também super músicos, mega profissionais e, principalmente, queridos amigos, me fez também ficar muito honrado e, claro, mais feliz ainda.

Bom, fizemos, assim, meu primeiro disco, o Frágil Verde, Força de Quebrar, gravado no Estúdio Fibra, Rio de Janeiro, e lançado em dezembro de 2011. E quase que sem intervalo, começamos a fazer um segundo disco, o Pra Ficar no Sol, que foi gravado na Toca do Bandido, no Rio também, e lançado agora em janeiro de 2014.

Agora, nesse começo de 2014, é que estamos preparando shows de divulgação dos trabalhos. O que está sendo bem legal, porque estamos montando o repertório dos shows tanto com músicas do primeiro disco, como também com músicas do segundo, e até com algumas músicas inéditas, sequer gravadas. Ou seja, agora é hora de ir para a estrada!

Mas a história da música se tornar profissão também na minha vida é ainda algo muito novo e totalmente inesperado. Nunca havia passado pela minha cabeça ser artista, e posso afirmar, como já disse antes, que não foi essa minha intenção quando comecei a fazer músicas.

Apesar de ter dois discos autorais gravados, eu não sei nem se posso dizer que tive, ou que tenho dificuldades até aqui, até mesmo porque ainda não consigo bem ter expectativas sobre aonde esse caminho da música vai me levar.

Tenho encarado tudo que está acontecendo como uma grande aventura, cheia de desafios diferentes dos que estou acostumado a ter na minha vida, mas também repleta de descobertas e diversão. Muita diversão mesmo!

Acho que ainda estou naquele “começo de namoro” com a profissão de músico, onde tudo parece perfeito! Só alegria! (Risos)

3. O que falta no Brasil para que o artista possa realmente viver de seu trabalho?

Poxa, acho essa uma pergunta muito difícil de responder.

No meu ponto de vista, que deve estar muito longe da verdade absoluta, acho que há um problema sócio cultural mesmo. Ainda somos um país com sérios problemas educacionais, os quais dificultam muito a apreciação e, consequentemente, a valorização da arte. Como arte em si mesmo, sabe?! Tipo, da “arte como alimento para o espírito”, como minha mãe, que é também artista plástica, me disse uma vez.

Mas essa talvez seja uma discussão mais filosófica e abstrata sobre a valorização do trabalho artístico, cujas conversas precisam ser bem mais aprofundadas do que as que esse espaço permite ter, não é?! (Risos)

Bom, o que sei é que não dá pra ficar esperando que os problemas sociais brasileiros sejam resolvidos para assim começarmos a ganhar dinheiro com arte.

Acho que o artista, independente ou não, também precisa pensar como um empreendedor de sua própria obra. Pensar em novos modelos de negócios para aquilo que ele cria. Isso pode até parecer tratar a arte como algo comercial, mas não é.

Veja, eu não estou dizendo que a criação artística deva ser comercial. Muito pelo contrário, acho que a gente tem que criar com o coração. Fazer música com a nossa alma! Sem se preocupar, nem um pouco, se a música vai ser comercial, vendável ou não.

O que estou dizendo é que, depois de pronta uma música, se for essa a intenção do artista, ganhar dinheiro com ela, é preciso pensar em maneiras de viabilizar isso, levando em consideração não só as dificuldades, mas também, e principalmente, as oportunidades que o cenário atual apresenta.

4. Quem ajuda você em sua carreira? Você tem uma equipe, contratou uma agência?

Artisticamente, sou produzido pela Villa-Lobos Produções, que é uma grande produtora aqui de Brasília. Eles descobriram minhas músicas, mais ou menos na época em que meu segundo disco estava sendo produzido, e me propuseram cuidar da minha carreira artística.

Eu fiquei feliz demais pelo interesse deles e muito honrado também, porque são super profissionais, com grandes produções realizadas, e têm investido bastante no meu trabalho. E acho que foi nesse momento, quando eu e a Villa-Lobos sentamos para conversar sobre eu entrar para o casting deles, que me dei conta que a “brincadeira” tinha virado trabalho. (Risos)

5. No cenário atual da Música Brasileira você acha que o independente tem mais espaço? Quais dicas você tem para um artista ou banda independente iniciante?

Na minha opinião, pela quantidade de grana envolvida nesse meio, mídias como a televisão, e até mesmo o rádio, não conseguem ou não querem mais apostar no novo, no desconhecido. Acredito que tudo ficou muito caro para esse tipo de mídia, o que não permite a eles arriscarem seus negócios com algo que não possa dar seguros e elevados resultados financeiros.

Então, quem está começando e quer entrar nesse tipo de mídia, precisa bancar o próprio risco de não dar certo, do ponto de vista do retorno financeiro que a televisão e o rádio esperam que dê. E, em minha opinião, foi esse um dos principais motivos que fez o artista independente ter perdido espaço nesse tipo de mídia.

Quando surgiu a internet, o artista independente, iniciante ou não, passou a ter um novo espaço. Uma mídia bem mais poderosa que as disponíveis anteriormente, a um custo praticamente inexistente.

Por conta disso, acho que agora o artista independente tem sim mais espaço. Principalmente pelo ambiente tecnológico que temos hoje, a favor do compartilhamento de informação. E não só no cenário da música brasileira, mas também no cenário da música mundial.

Eu por exemplo, não no papel de artista, mas como fã de música que sou, tenho acesso a muitos outros trabalhos, os quais seriam totalmente desconhecidos ou de difícil acesso, se não fossem as plataformas tecnológicas que temos hoje em dia para fomentar serviços de difusão de música.

E é justamente por meio dessas plataformas, quase todas baseadas na web, que o espaço passou a ser mais democrático e acessível. Ou seja, o espaço está aí: imenso, disponível e de graça. Cabe a gente saber como utilizá-lo, de forma que nossa arte chegue para tantas quantas outras pessoas a gente desejar que chegue.

Bom, quem sou eu para dar dicas para outros artistas, mas acho que nossa primeira missão como artista, como eu disse anteriormente, é fazer música com o coração! Com a nossa própria verdade!

Uma vez eu ouvi alguém dizer que a “arte é o registro de nossa passagem pela terra”, e achei isso lindo. E acho que é pensando um pouco nisso que a gente tem que fazer nossa música, nosso trabalho. Ou seja, que vestígios nós queremos deixar por onde passamos.

Depois disso, e claro, se essa for a intenção do artista, nós temos que mostrar nossa música para o maior número de pessoas possíveis. Se essas outras pessoas vão gostar, ou não, é outro problema, o qual foge totalmente do nosso controle e vontade, não é?! Mas acho que é responsabilidade nossa fazer com que nossa arte chegue até as pessoas.

Como também já disse, acho que nós, como artistas independentes, precisamos ser empreendedores de nossa própria obra. Pensar sempre em maneiras novas, diferentes, e viáveis de vender o que produzimos.

E por fim, acho que a gente tem que encarar o sucesso como as pequenas conquistas do dia a dia, por menores que possam parecer. Ah! E claro, se tudo isso não for para a gente se divertir, acho que não vale a pena!

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2 Comentários

  1. ibalotombe@gmail.com'
    by Russel Balo on maio 16, 2015  10:44 Responder

    sera na cd baby pode se divulgar tambem musica gospel

    • by Marcos Chomen on maio 25, 2015  13:10 Responder

      Russel, a CD Baby é um distribuidor digital de qualquer gênero musical. Veja aqui como funciona. http://somosmusica.com.br/saiba-como-funciona-e-como-se-cadastrar-na-cd-baby/ Abs,

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