Entrevista Mattilha

Quem disse que o Rock Nacional morreu? Entrevistamos a Mattilha, banda de Rock de São Paulo.

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1. A faixa “Filho da Pompéia” fala de como voces cresceram ouvindo as bandas de rock do Bairro Pompéia em São Paulo. Conte pra nós como a Mattilha foi influenciada por estas bandas e um pouco da história da banda.

Bom, a idéia dessa música, que foi escrita pelo primeiro vocalista, Lucas e nosso guitarrista  Victor, foi fazer uma homenagem ao bairro que foi o berço do rock paulista: Mutantes, Made In Brazil, Tutti Frutti. Como nós começamos lá também, a influência dessas bandas acabou sendo direta, principalmente na hora de optar em fazer rock em português. Nós carregamos com orgulho essa história da Pompéia e queremos passar isso adiante!
Desde o início nós temos a proposta de fazer som próprio e valorizar o rock nacional. Fundamos a banda em Novembro de 2010. Começou com o Victor e eu (Ian) . Depois de meses se programando para um ensaio, a ideia estava tão alinhada que logo no primeiro ensaio já saiu a primeira música da banda, “Noites no bar”, que foi composta e ensaiada pela primeira vez no Garage Studio, também localizado na Pompeia.
2. A mixagem e masterização do álbum está muito profissional. Como foi o processo de gravação? Qual estudio, produtor, quem deu uma força?
Nós gravamos em um estúdio que fica lá na Pompéia também, chamado Choque DB. É um estúdio muito conhecido pela galera da região, muitas bandas do underground tem trabalhado lá com o Gustavo Simão (Big) que foi um cara sensacional e que nos ajudou muito a tornar esse trampo possível. Foi a primeira vez de todos  em um estúdio de gravação. A gente não tinha noção de nada e ele deu muitos toques que fizeram o resultado final ser motivo de orgulho para nós. Recomendamos demais!

3. Vocês pensaram em ser independentes desde o inicio? O que vocês acham que falta para o Rock Independente chegar na galera? Como estão os espaços para tocar?
Então, na realidade a gente não tinha opção. A banda começou e o único objetivo era se divertir fazendo letras que falavam das coisas que aconteciam com a gente, não era nada ambicioso. As coisas foram rolando e a gente sempre fez por conta própria todos os corres para divulgar nosso som, e é esse o grande ponto em ser uma banda independente: Liberdade. Claro, são muitas dificuldades e muitas situações complicadas que a gente passa, mas pra fazer o tipo de som que a gente gosta não tem jeito. Rock N’ Roll se faz na rua, dando a cara ao tapa e aprendendo com os erros. A união é o segredo para as coisas começarem a rolar no underground. As casas ainda preferem bandas covers, mas existe um grande público potencial para bandas novas. A questão é: Como chegar nessas pessoas?

É um trabalho complicado. Exige muita dedicação, amor a música e principalmente paciência!
O espaço do cenário não tem que ter o espírito de competição. O que falta mesmo pro Rock Independente chegar na galera é realmente a união das bandas. E nós já estamos trabalhando nisso.
4. Como o ambiente digital tem ajudado a banda a se promover?

A internet foi desde o começo até hoje o nosso único meio de divulgação. Tudo que a gente conseguiu até hoje foi através do ambiente digital, desde contatos, parcerias e até na hora de trabalhar coisas novas entre nós. A internet está ai para todo mundo, não é dificil gravar uma música e jogar na rede. O segredo está na sua estratégia. O trabalho de uma banda independente hoje consiste em muito mais do que fazer músicas, a imagem e todas as plataformas de comunicação da banda devem ser trabalhadas diariamente. Isso faz a diferença e é o que separa as bandas que vão ficar pra sempre tentando das que chegaram lá.

5. Qual dica que vocês dão para as bandas iniciantes?

Vá para a rua, conheça a galera que curta o seu tipo de som, frequente shows, faça amizades com bandas semelhantes e principalmente: Tenha paciência é muita fé no seu som.
Não desanime se receber um “não”. Para cada porta que se fecha, duas ou três podem estar se abrindo. Valorize sua proposta. Mude, se necessário, sem medo de arriscar. O segredo é estar entre amigos e sempre deixar tudo bem claro. Se tiver algum tive de problema, resolva no dia. Não deixe a bola de neve crescer. Banda é um casamento, sem sexo (ou com, dependendo do seu gosto, né). É essencial ter um bom relacionamento, tanto entre os membros, quanto com as bandas parceiras, os amigos que acompanham, o público, produtores e os donos das casas.
As coisas não são fáceis, principalmente quando se trata de Rock Nacional, mas se é isso que você sonha, é precisa dar a cara a muitos tapas para sair do lugar.

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