Entrevista: Como um Artista CD Baby construiu fã-clubes em dois partes do mundo

Todos sabemos que ser um músico independente pode ser uma tarefa árdua na sua cidade natal. Agora imagine se sua carreira se dividir entre dois continentes — é assim que Hache ST está trabalhando desde 2004.

DLS_0490Por Tracey Gill

Uma entrevista com Hache ST, artista multi-nacional da CD Baby

Com letras politizadas e um som internacional o artista de hip-hop Hache ST vem construindo fã-clubes em dois países (na verdade, dois continentes) de uma só vez.

Queríamos saber como é construir uma carreira independente e multinacional, então Tracey Gill, do CD Baby, recentemente entrevistou Hache ST sobre sua vida e sobre sua música.

Nascido na República Dominicana, Hache ST hoje mora em Staten Island, EUA, mas mantém uma presença forte no país de origem e em outras partes da América Latina. Ele é um membro do Quilomboarte, grupo de rappers politizados e socialmente ativos que que usa sua música para fomentar a mudança por meio do comentário social.

Em seu mais recente album, Zafra, Hache ST aborda assuntos que vão da construção da identidade na República Dominicana (em relação a países vizinhos como o Haití) a declarações anti-patriarcais para defender os direitos das mulheres.E ele faz tudo isso com batidas sofisticadas, letras espirituosas e vocais impressionantes.

Seu som incorpora jazz sincopado, multi-ritmos afro-haitianos e os maravilhosos vocais de Favi e Alexandra Blakely. Confira Zafra aqui: http://www.cdbaby.com/cd/hachest3.

Aproveite a entrevista e conte para a gente da sua experiência com música politizada na seção de comentários, aqui embaixo!

Hache ST fala sobre construir uma legião de seguidores em outros países

Você vive em Nova York, mas também é famoso na América do Sul. Como mantém sua vida pessoal e sua carreira divididas entre os dois partes do mundo? Pode aconselhar artistas e bandas numa situação parecida?

Eu não diria que sou famoso. Longe disso. Meu objetivo, na realidade, está bem longe disso. Tive a chance de me conectar com pessoas de todos os lugares, pessoas que se identificam com meu trabalho, mas não diria que sou famoso.

Nova York é uma cidade em que é difícil colocar em prática um projeto cultural consciente. É um palco em que expressões culturais de todos os tipos se cruzam, mas levo minha música a sério e percebi que um contato poderia me levar a um show, que poderia abrir uma porta, que abriria outra etc. É uma reação em cadeia. Desse jeito, começo a fazer as coisas.Algumas coisas acontecem a longo prazo, mas outras vêm do dia para a noite.

Um conselhinho? Bom, uma pessoa tem data marcada para terminar um projeto se assinou com uma gravadora, e por que não se não tiver também. É preciso perceber que o tempo passa,ser disciplinado e não esperar que ninguém faça nada por você, tomar conta de si.

Cada album que você lançou tem uma mensagem.Como você escolhe os temas dos CDs e das músicas?

O tema de cada canção vem de dentro. No meu caso, é como se fosse um dever de casa.Minha música não está desligada de assuntos sociais,e é por isso que eu considero essencial demonstrar o que está acontecendo nesse conteúdo, sem perder o que vem naturalmente.

Sempre escrevo uma ideia ou frase que pinta na cabeça e, sobre essa base, sou capaz de escrever a música. A inspiração pode vir da conversa com um amigo ou estranho.

Li que você colaborou com artistas que têm o mesmo estilo que você — música de consciência. Como nasceram essas parcerias?

É muito fácil trabalhar com alguém que tem os mesmos ideais que os seus. Entramos em contado de um jeito muito natural; é só uma questão de tempo até nos trombarmos e falarmos a mesma língua.

Quase sempre trabalho com Bocafloja e Cambio. Somos amigos há muitos anos. Também ando trabalhando com uma artista da Coôombia, seu nome é Lianna e eu realmente incentivo que ouça seu trabalho.

Qual foi sua experiência mais bem-sucedida –tipo algo que sempre tenha querido fazer?

Cada um mede sucesso do seu jeito. No meu caso, dividir o palco com artistas que ouço e admiro desde cedo me deu muita satisfação. Eu me lembro de quando ia para a loja de discos comprar a música deles, então não tem preço!

Você tem fãs em Nova York, na América Latina e em outras partes do mundo, imagino. Qual sua estratégia para mantê-los informados dos seus shows, novos lançamentos ou de sua música como um todo? Pode dar conselhos sobre isso para novos artistas?

Uso redes sociais de maneira séria e responsável, dou meu cartão de visitas em shows, mando mala-direta etc. É necessário articular estratégias físicas e digitais, não pode ficar só atrás de um computador; você precisa ir lá fora e interagir com as pessoas de verdade.

Precisamos usar as ferramentas que temos para fortalecer nossa causa. Me conselho é: não espere que ninguém faça as coisas por você, faça você mesmo.

Como você faz para as turnês em outros países?

Trabalho com a Quilomboarte. Somos um conglomerado de artistas, uma plataforma alternativa. Vemos o rap como uma ferramenta de muitas para fazer um diálogo entre culturas, além da produção hegemônica. Queremos criar um link histórico com nossas ações, articulando nossos caminhos,usando a palavra falada para criar espaços, expressões literárias, amostras de cinema etc.Há várias opções em muitas plataformas.

Por fim, como o CD Baby te ajudou a ser bem-sucedido?

Através do CD Baby, consegui compartilhar o meu trabalho enquanto ganhava dinheiro. É uma ferramenta importante porque você pode comprar música em formato digital, mas também em físico.

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