Como a banda WALK OFF THE EARTH usou o YouTube para conseguir um contrato de disco

Foi-se o tempo das gravadoras e dos contratos para lançar um disco com uma mega estrutura. Não completamente: conheça no SomosMúsica a história de uma banda que primeiro fez sucesso no YouTube para depois assinar um contrato com uma grande gravadora

Uma entrevista com Ryan Marshall do WALK OFF THE EARTH

[Esta entrevista, conduzida pela Megan Liscomb, apareceu antes no blog TakeLessons blog.]

Desde que viralizaram no YouTube e fizeram uma turnê mundial, a banda Walk Off The Earth conseguiu imprimir uma marca impressionante no mercado da música, e parece que eles só estão começando. O álbum deles, Sing It All Away, foi lançado há pouco tempo e a banda está fazendo altas turnês por causa do lançamento.

++ Confira o som da Walk Off the Earth AQUI e AQUI na cdbaby.com. ++

O cantor e violonista Ryan Marshall nos ligou esta semana, para falar sobre inspiração, a vida na estrada e sua relação complicada com a música country.

Como você começou a tocar? Houve alguém, tipo um parente ou professor, que tenha te incentivado?

Eu venho de uma família em que todo mundo toca um instrumento. Eu comecei na sexta série, tocando o barítono, que é tipo uma tuba, mas menor; algumas pessoas também chamam de eufônio;

Eu tive uma professora de música maravilhosa. Morava numa cidade pequena perto de Toronto, no Canadá, e tinha essa professora, Sue Smith, que já tinha tocado o trompete com a Canadian Brass. Ela acabou indo lecionar no meu colégio, e eu comecei a ser seu aluno na sexta série. Daí, quando fui para o ensino médio, ela também se mudou de colégio, e acabou me dando aulas no caminho todo

Quando se tem uma professora como ela, realmente muda o jeito como você olha para as coisas, e isso faz você querer continuar tocando. Eu era o capitão do time de futebol americano e do time de basquete, e, às vezes, pelo menos na minha época de escola, os esportistas não curtiam muito tocar na banda de jazz ou na orquestra. Mas, quando você tem um professor que diz as coisas certas, a lidar com a pressão e com todas as coisas envolvidas nessa época, isso ajuda muito.

Depois de ter tido essa educação, como você formou o Walk Off The Earth?

Eu nem comecei a tocar violão até ter 20 anos. Eu sou um fazão do Bob Dylan, então logo no começo fiz aulas de gaita, de violão e de canto, tudo ao mesmo tempo.

Eu me juntei com mais dois caras e comecei uma bandinha de reggae que durou alguns anos. Quando essa banda acabou, eu continuei tocando com o baterista e queríamos começar a gravar umas músicas só os dois.

Esse cara conhecia outro cara, o Gianni, que tinha um estúdio, então a gente foi lá para gravar. O Gianni começou a colocar baixo e outros instrumentos nas coisas que estávamos gravando. Nós nem tínhamos feito um show ainda, e já tínhamos um baixista na música, então acabou virando uma banda de três. Nós precisávamos de um nome e Walk Off The Earth acabou aparecendo, e assim começou.

Uma coisa que realmente se destaca no Walk Off The Earth é a instrumentação da banda e escolhas que vocês fazer, que são bem incomuns. De onde vocês tiram as ideias que inspiram?

Eu acho que muito da inspiração vem das personalidades e influências diferentes que tivemos como uma banda. Ter cinco pessoas juntando ideias e influências é bom, e permite usar vários instrumentos diferentes.

Para a Sarah e para o Gianni e eu, é meio assim: nenhum de nós é um exímio tocador de violão e nenhum de nós toca ukelele muito bem, ou qualquer outro instrumento, mas depois que você meio que entende a lógica do instrumento, contanto que você consiga fazer as notas e acordes e tenha ritmo, você consegue se safar tocando uma música aqui e outra acolá.

Todos nós somos bem interessados em aprender a tocar outros instrumentos e achar coisas para adicionar ao nosso setlist. Às vezes, isso acaba sendo um instrumento infantil, e é engraçado pegar algo assim e ver como você consegue gravar com ele. Daí, depois que você gravou com isso, fica meio empacado, e precisa descobrir um jeito de fazer isso ao vivo, então você acaba levando uma porção de instrumentos esquisitos para o palco.

Outra coisa pela qual o Walk Off The Earth é bem famoso é a máxima que vocês “conseguiram um contrato de disco por meio do YouTube.” Isso era um objetivo? Quais são seus conselhos para outros artistas que querem seguir o mesmo caminho?

Nós trilhamos o caminho de banda independente, tentamos conseguir um contrato com gravadora dos jeitos convencionais, e isso é muito difícil. Mas a situação finalmente chegou a um ponto em que todos percebemos que não íamos ser contratados por uma gravadora, precisaríamos fazer isso por conta própria.

Tivemos de achar um jeito de alcançar muita gente, e o YouTube tinha acabado de começar. O Gianni disse “Opa, por que a gente não experimenta isso? Nós fizemos uns vídeos e, de repente, tínhamos 15.000 views em um deles (comentário do editor: este vídeo tem mais de 160 milhões de views hoje em dia). Nós nunca tínhamos tocado para 15.000 pessoas nas nossas vidas!

Você também tem que ter sorte no mundo viral. Se as pessoas soubessem como fazer um vídeo viral, daí todo mundo faria um. Eu não sei o que acontece, mas algo acontece, e nós demos sorte com esse vídeo.

Nós já tínhamos uns 30 ou 40 vídeos em nosso canal, então as pessoas tinham mais coisa para assistir quando chegaram até nós pelo vídeo viral. Havia um catálogo de músicas, tanto nossas quanto covers, que as pessoas podiam ver e ouvir em seguida, e nós notamos que todos eles começaram a bombar ao mesmo tempo.

Foi isso que também atraiu a gravadora. As gravadoras querem ver um corpo de trabalho já feito e uma legião de fãs, antes mesmo de começar a investir seu dinheiro numa banda. Você tem de desenvolver sua carreira por você mesmo.

Você está em turnê já faz algumas semanas. Quais são as melhores e as piores coisas da vida na estrada?

Eu amo tocar para grandes multidões. De verdade, o melhor sentimento do mundo é subir no palco e ouvir as pessoas cantando músicas que você escreveu. Para mim, é o sentimento mais recompensador do mundo. Então isso é a melhor coisa. Eu tenho minha família em casa, e tenho um filho de cinco anos, de quem eu sinto imensa falta quando estou longe. Isso é a não tão boa..

Alguns de vocês da banda já constituíram família e deve dar um trabalhão tomar conta dela e da carreira musical ao mesmo tempo. Recentement, a sua colega de banda Sarah até passou por um episódio recentemente em que pediram para ela sair de um voo porque o filho dela estava fazendo barulho. Como esse tipo de situação se enquadra na suas experiência de equilibrar a vida de pai de família com a de estrela do rock?

A situação da Sarah foi pura loucura. Não faço ideia de o que a companhia aérea estava pensando. Acho que isso ainda vai se resolver. Mas, além desse assunto, a questão de equilibrar família e música tem os pontos positivos e negativos.

Por exemplo, levamos uns três meses para gravar nosso álbum, e estávamos na nossa cidade, Burlington, por esse tempo todo. Então eu fiquei em casa por três meses seguidos, todo dia. Eu podia ver minha família todo dia. Muitos pais ocupados estão em casa todos os dias, mas ficam na rua das seis da manhã até umas oito da noite, quando as crianças já estão indo dormir. No meu caso, passo três meses direto com minha família e consigo vê-los quando eu quiser, o que é incrível.

Mas, quando você partiu, partiu. Quando você está em turnê fica na estrada por meses. Daí, essas coisas como Facetime e Skype realmente mudaram como você se comunica com as pessoas que ficaram em casa. E, você sabe, a Sarah e o Gianni, que também são da banda, e eles podem viajar com seu filho –o segundo está vindo em breve. Eu trouxe comigo meu filho de cinco anos, Kingsley, em algumas turnês que não eram feitas de ônibus, e sim de avião, e foi bem divertido.

Quando você tem a oportunidade de tocar sua música só por diversão, o que você gosta de ensaiar e o que gosta de ouvir?

Eu sou um cara que adora folk, amo ouvir Tallest Man on Earth, muito Bon Iver. Eu ouço todo tipo de música mas ainda não enveredei muito pelo country. Praticamente todos os tipos de música entram no meu telefone. Eu tenho uma variedade bem grande. Quando estou tocando, só costumo catar meu violão e começar a escrever. Eu gosto de escrever vários tipos diferentes de música. Vou escrever muitas músicas country, ainda que não ouça country [risos]. De verdade, eu adoro pegar meu violão e começar a fazer coisa de letrista e compositores.

Há algum aspecto musical que você queira explorar no futuro?

Como banda, gostamos de abordar todos os aspectos do mundo da música. neste álbum, a gente tem uma colaboração com o Steve Aoki, o que nos permitiu dar uma entradinha na cena da EDM (música eletrônica europeia). Nós tivemos até a oportunidade de tocar com ele no Ultra Music Fest, em Miami. Havia cerca de 200.000 pessoas, e é um público diferente do nosso, então foi ótimo.

Nossos fãs são um grupo muito eclético e diverso. Tem crianças de três anos em nossos shows e ontem à noite tínha uma senhorinha de 89 novas na nossa apresentação. Varia muito e é muito legal, e nós temos a chance de fazer colaborações com outros artistas, o que ajuda a gente a explorar outras searas musicais.

Não perca a chance de ver o Walk Off The Earth quando estiver em uma cidade em que eles estejam se apresentando! Mantenha-se informado das datas de turnês deles no site deles, Facebook, ou Twitter.

[Foto de Erin Blackwood.]

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