Caso de Sucesso: Bluesman Brasileiro fazendo sucesso na terra do Blues

IgorPradoBandbyMarceloPretto_2013

O Blues nasceu nos EUA e influenciou muitos estilos de música, inclusive o Rock bebeu muito nesse estilo. Fazer sucesso nos EUA é difícil e para um brasileiro tocando blues parece impossível, é como um americano fazer sucesso no Brasil tocando Samba. Mas com talento e dedicação tudo é possível. Igor Prado conseguiu isso com sua Igor Prado Band e em Maio de 2015 volta para os EUA e Europa para mais uma tour, agora com seu novo álbum “Way Down South”. A Igor Prado Band é composta por Igor nos vocais e na guitarra, seu irmão Yuri Prado, na bateria, Rodrigo Mantovani, no baixo elétrico e acústico, e Denilson Martins, no sax.

Você quer uma carreira internacional? O Somosmusica.com.br conversou um pouco com Igor Prado, que lançou seus primeiros álbuns com a CD Baby, e ele deu várias dicas.

1. Igor, em Março deste ano seu álbum foi o mais tocado dentro do território americano (Living Blues Chart), feito inédito para um artista sul-americano tocando blues, além de vários outros prêmios internacionais. Primeiro parabéns e agora voce pode nos contar um pouco da sua história desde o inicio?

Bom a história toda começa bem lá atrás, eu e o Yuri Prado (baterista da banda) crescemos num meio muito musical, tinha um Tio maestro, outro que toca cavaco/choro e meu pai sempre gostou de tocar violão p/ acompanhar meu tio e também foi baterista amador numa banda de surf music na adolescencia.
Eu me lembro muito das festas de família em casa, uma roda de Choro e Samba e ao mesmo tempo na vitrola meu pai colocava Chuck Berry, Little Richard e eu sempre tive uma coisa c/ Chuck & Little Richard, dizem que mesmo muito novo eu devia ter uns 4,5 anos de idade sempre que tocava um dos dois eu começava a balançar, uma certa vez tomei o microfone numa roda de choro e comecei a cantar Tutti Frutti do Little Richard, hehehe, creio que essa paixão pelo Blues, Rhythm & Blues & Rock N Roll começou muito cedo e foi muito natural.

Um pouco mais tarde meu pai comprou um teclado, uma bateria e duas guitarras, o Yuri começou a tocar teclado depois bateria e eu já pegava um pouco o violão do meu pai fui pra guitarra, isso provavelmente a gente tinha uns 11-12 anos.

Um fato curioso é que sou canhoto e eu pegava um violão de destro e tocava como canhoto mas com as cordas ao contrário e assim aprendi os primeiros acordes. Quando meu pai percebeu que a gente queria mesmo ir a fundo nos intrumentos ele me matriculou no Conservatório de São Caetano Sul quando cheguei lá p/ fazer as aulas o professor me disse que eu deveria começar do zero pois havia aprendido a tocar guitarra do jeito “errado” ou seja com as cordas invetidas, outra frustração foi ao perguntar sobre tocar Blues & Rock n Roll o professor respondeu que primeiro eu teria que fazer 2 anos de leitura do Real Book (um livro que tem os standarts de jazz nada excitante para um menino de 14 anos querendo tocar guitarra). Cheguei a frequenter as aulas por alguns meses, tive que reaprender os acordes do jeito convencional mas não aguentei a abandonei as aulas do conservatório. Eu me lembro muito bem do meu professor falando – Vc é canhoto como o Jimi Hendrix, e ele era canhoto mas tocava do jeito “certo”. Naquela época mal sabia o professor que dois dos mestres do Hendrix como o Albert King e o Otis Rush eram canhotos e tocavam da mesma forma que eu, e foi esse tipo de coisa que eu acabei descobrindo uns anos depois logo que mudamos pra um novo bairro em São Caetano perto do Rudge onde conhecemos o Chico Blues, então o maior colecionador de Blues da América Latina, praticamente no mesmo bairro, foi apartir daí que eu acho que começa nossa formação profissional dentro do Blues, pois mergulhamos no acervo dele, começamos a ter contato com artistas de Blues do Brasil e também de fora, isso foi em 1998-99 e estava rolando um boom do Blues nacional no Brasil.

E foi fator determinante para a nossa formação musical e por ter passado por todos os “Standarts” obrigatórios do Blues Americano, bom ainda estamos aprendendo pois essa música ao contrário do que muita gente pensa é muito rica e extensa.

Começamos a tocar profisisonalmente em meados de 2001 com a banda chamada Prado Blues Band e em 2007 lancei meu primeiro album solo “Igor Prado Band – Upsidedown” que despertou um interesse/curiosidade do Mercado Americano, em 2010 gravamos um album em parceria com o lendário cantor & gaitista californiano o “Lynwood Slim” e ele, infelizmente recém falecido, foi outra peça chave p/ fazer a ligação com o Mercado Americano, rodamos o mundo tocando juntos em Festivais do genero nos EUA, Europa, Australia e América do Sul. Também foi ele que conseguiu o contrato c/ a gravadora californiana Delta Groove do disco “Brazilian Kicks de 2010”.

Em 2011 abri minha empresa de produção musical em São Paulo então começamos a trabalhar bastante on demand c/ os Americanos que baixavam em Tour no Brasil e também na Europa foi e é um enorme aprendizado sempre cair na Estrada.

No ano passado lançamos um album instrumental junto com o pianista Ari Borger pelo nosso selo independente aqui do Brasil, a Chico Blues Records e o album foi eleito na California o disco instrumental do ano, até então o Mercado Americano parecia muito receptivo com a gente.
Então no ano passado eu havia guardado várias gravações que faziamos com vários artistas nos intervalos das tours desde 2012 e mostramos esse material para o Randy Chortkoff (presidente da Delta Groove Records) eles aceitaram na hora a proposta de um novo álbum somente da banda com larga distribuição nos EUA para esse começo de 2015 e então de Fevereiro pra cá nossa vida tem mudado bastante, o álbum conseguiu um penetração incrível nos EUA e Europa, com 1 mês de album saiu em mais de 50 revistas e periódicos do gênero e em Março foi o mais executado dentro do território Americano, homologado pela revista Living Blues, esse é o chart mais importante dentro dos Estados Unidos, esse número #1 tão rápido e com feedbacks positivos do mundo todo foi uma coisa muito além do que a gente havia planejado e aqui estamos conversando com o Marcos Chomen da CD BABY ! Hehehe…

2. Você vai fazer uma grande tour nos EUA. Como foi o processo? Alguém lhe ajudou?

Essa Tour e alguns compromissos eu mesmo que fechei através da minha empresa de produção e algumas coisas foram a agência da gravadora Delta Groove, ainda não temos uma agência grande só para correr atrás de shows nos EUA mas aguardem novidades que estamos fechando uma parceria muito legal para 2016!

3. Você iniciou como artista independente e depois assinou com uma gravadora. Quais os dois lados da moeda de ser independente?

Eu creio que hoje em dia mesmo numa gravadora grande você precisa ter mentalidade de independente, você precisa trabalhar ao lado deles, mesmo na parte de Rádios, Promoção, etc. Se vc conseguir sincronizar isso tudo com as pessoas que estão te ajudando  eu creio que o resultado é 10x maior. Você entender como funciona o mercado do seu segmento ajuda muito a obter resultados e não se frustrar ou gastar muita energia tentando alcançar o inalcançável! Eu sou a pessoa mais pé no chão que eu conheço, sério mesmo.

4. Quais são seus grandes idolos e como voce define seu estilo?

Ah meus ídolos na maioria dos casos morreram pobres ou não tiverem o devido reconhecimento como Willie Johnson, Pat Hare, Robert Lockwood, Little Milton, Reggie Boyd, Calvin Newburn, Bill Jennings é díficil citar, são muitos. Eu defino nosso estilo como american roots music porque a gente adora praticamente todos os artistas da black music dos 40, 50 e 60’s.

5. Quais são as dicas que você daria a um artista que quer alcancar uma carreira
internacional?

Creio que primeiro de tudo mergulhar na música, pesquisar, entender, tentar sentir, descobrir de onde veio, e cair na estrada, tocar, tocar e tocar. Eu aprendi e aprendo demais acompanhando um monte de artistas americanos de vários estilos diferentes, acho muito importante fazer isso, passar por isso, creio que faz total diferença na sua maturidade musical e de vida.

6. Como voce se sente fazendo sucesso na terra do blues? Voce sentiu algum preconceito no inicio?

Eu creio que é um privilégio para poucos, tenho muito orgulho mas com os dois pés no chão, a gente está sempre junto com os americanos, não vejo que é uma banda brasileira “batendo” os gringos como andei lendo algumas matérias, creio que estamos numa fase de uma união entre artistas europeus e sul-americanos em prol do Blues junto com os autênticos norte-americanos que são imbatíveis no que fazem bem!

Com relação ao preconceito, muito pelo contrário eu creio que rolou um apadrinhamento da galera mais antiga para com a gente e isso tá rolando faz uns anos já, eles tem orgulho da onde chegou o Blues que é a música de raiz deles.

7. Voce acha que a música brasileira está presente em seu estilo de alguma forma?

Talvez possa haver um swing algo a mais nas entre-linhas mas nosso blues é bem tradicionalista e bem americano isso também gera algumas críticas de alguns artistas que fazem o blues em português, eu gosto respeito quem faz gosto de algumas misturas mas não acho que tenho essa habilidade de escrever em português o blues ou mistura-lo com algum ritmo brasileiro.

Saiba mais da Igor Prado Band  em http://www.igorpradoband.com/

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