Bandas do Interior – É mais difícil?

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O Brasil é gigante e tem 5.570 municípios, essa quantidade gera diversidade influenciada por ritmos regionais e culturas diferentes, isso é que faz nossa música tão rica. Mas muitas bandas acham que tem que estar nos grandes centros para “virar”. Será? Vamos conversar com a Laranja Oliva que brotou na cidade de Limeira, interior de São Paulo, depois que cinco meninos sonhadores se encontraram para sonhar juntos. Foram seis anos tocando juntos na noite interiorana até chegar em uma tour internacional.

1. Vocês foram convidados pelo Governo do Estado de São Paulo para ser uma das atrações do palco principal da Virada Cultural Paulista de Limeira/SP além de também ter sido uma das atrações da Semana Internacional da Música da Fnac. Sendo uma banda independente como aconteceram esses convites?

Bruno Bertoni: A maioria dos nossos contatos e, de forma geral, a forma como a banda vem sendo reconhecida, é via internet, além do sempre presente boca a boca, tanto online quanto no dia-a-dia. Fomos convidados para abrir a Virada Cultural Paulista 2015 em Limeira pela organização do evento, que optou pela escolha de um artista local para representar a cidade que receberia a Virada. A Secretaria da Cultura de Limeira, enviou nosso material junto com o de outros artistas que têm marcado presença no cenário musical da cidade. Muitos desses também participaram, junto com a gente, do Festival Nacional de MBP que acontece na cidade, o “Canta Limeira”; e dentre estes, fomos escolhidos para representar a cidade no palco principal.
A Semana de Música da FNAC, surgiu a partir de um convite feito pelo Renato Bacani, que entrou em contato com a gente por email após trocar uma ideia com um dos integrantes da banda. Ele organizou o evento inspirado na mesma semana de música que já é realizada na Europa.
Acreditamos que isso aconteceu por já termos conquistado um espaço bem legal em Campinas, tocando sempre por lá, em diversos lugares e para diferentes públicos.

2. A distribuição digital facilitou muito o lançamento de músicas para todo o mundo, porém existe um grande desafio na divulgação. Vocês podem contar um pouco do seu trabalho de divulgação? Vocês contrataram uma agência? Fizeram um planejamento para quais canais fazia sentido divulgar?

Bruno Bertoni: Nosso trabalho de divulgação, até pouco tempo atrás, era bem amador e bem independente. Era aquela coisa, vamos aprendendo fazendo, e tendo que nos virar. Nada era muito planejado, já que não tinhamos muita experiência.
Tudo o que tem sido feito foi com a ajuda de amigos, parentes e parceiros, que sempre ajudaram a gente a compartilhar tudo: eventos, músicas, clipes, e por aí vai, além de sempre prestigiarem tudo. Dessa forma ficamos bem ativos nas redes sociais, e atingimos um número legal de alcance orgânico na nossa página, o que foi bem bacana e inesperado.

Realizamos algumas reuniões, conversamos sobre o que acreditamos ser o melhor, e fazemos, colocamos na prática!
Algumas semanas atrás, demos um passo grande no quesito “equipe”, já que agora temos algumas pessoas junto com a gente, dando uma força pra assessoria e produção.

3. O novo álbum chama-se “Arroz feijão e mistura”. O arroz feijão mostra que vocês tem uma conexão com a terra Brasilis, e a “mistura” qual é?

Bruno Bertoni: Arroz, feijão e mistura tá no prato de quase todo o brasileiro, todo os dias.
A música, pra gente, é o alimento da alma, do pensamento. Nesse disco quisemos apresentar a nossa música da forma mais sincera, assim como é para nós: o essencial, o básico, o primordial, o brasileiro, o samba, o ritmo seguro, o rock, e o que é principal, que está representado no “Arroz & Feijão” tão comum pra gente. E além do básico de todos os dias, temos o tempero surpresa, aquilo que chama atenção a cada garfada, aquilo que vem de diferente, o “segredinho do cozinheiro”, e isso é mistura do prato do brasileiro e da nossa música: uma mescla de estilos com um segredinho a mais.

4. Vocês são uma banda de Limeira, uma cidade no interior do Estado de São Paulo. Muitas bandas do interior acabam mudando para São Paulo ou grandes capitais pois dizem que “aqui” que tudo acontece. Vocês concordam ou acham que com o novos modelos de distribuição e divulgação é possível planejar a carreira, inclusive para o mundo? Como é a cena de bandas independentes nas cidade do interior do Estado de São Paulo? Vocês tem espaço para tocar em outras cidades da região? Querem um carreira internacional?

Bruno Bertoni: Acho que São Paulo ainda é a “cidade das oportunidades”, porém essa realidade não é mais exclusiva da capital. Muita coisa acontece mesmo, mas temos outros cenários crescendo, e outras oportunidades surgindo principalmente com o advento da internet e das redes sociais. Acredito que sim, é possivel planejar uma carreira para o mundo. Nós, da Laranja Oliva, fizemos uma turnê internacional, em outubro do ano passado, em parceria com o Coletivo Cultural King Chong, que também é de limeira. O coletivo realizou um intercâmbio com os artistas bolivianos na edição do Festival Grito Rock (da Rede Fora do Eixo) em Limeira, no início de 2014. E assim, surgiu a conexão Brasil x Bolívia! O pessoal do coletivo veio com a proposta pra nós irmos com eles para lá e nós topamos na hora, sem nem pensar duas vezes. Ficamos 14 dias na Bolívia, fizemos 4 shows em Santa Cruz e 3 shows em La Paz. Uma experiência sensacional, de onde nasceram um videoclipe (da música “Alguma coisa a gente tem que amar” do Disco “Arroz, Feijão e Mistura”) e um documentário.

A cena do interior é complicada, rolam algumas dificuldades, mas nada que não seja normal na profissão. Nós somos bem recebidos em muitos lugares e só temos a agradecer todas as oportunidades que nos dão em Limeira. Porém, além da cidade natal, nós já conseguimos sim conquistar certo espaço na região: Campinas, Americana e Piracicaba, estão entre as cidades que mais tocamos além de Limeira.
Faltava uma união entre os músicos do interior, e mais espaço para interação. Por isso, estamos com um grupo de músicos Limeirenses em que a mente está no mesmo lugar, tentando construir juntos, ao invés de competir! O Festival oRolê surgiu daí, inclusive.
Recebemos no Kingston (casa noturna de Limeira com foco no cenário independente) a banda Alarde, de São José dos Campos, cujo contato foi todo feito graças à amigos e redes sociais. E esse é só o exemplo mais recente. Queremos uma carreira que consiga atingir o máximo de pessoas possível, se internacional, ou nacional, não sei. Gostando do som, aqui ou na Bolívia, nós abraçaremos a ideia. Mas também acho que essas barreiras (nacional/internacional) estão cada vez menores, ou menos reais.

5. Quais as dicas que vocês dão para as bandas que estão começando agora? O que deu certo, e o que deu errado?

Bruno Bertoni: Siga seu sonho, não desista nunca, isso acho que é o principal. Somos cinco, e além de amigos, somos família – literalmente, já que temos irmãos e primos dentro da banda – e isso sempre ajudou muito. Sempre fizemos reuniões para decidir o que queríamos fazer, ou o que achávamos que estava errado e que precisávamos mudar. Na verdade, sempre lavamos muita roupa suja nesses dias, muitas vezes rolavam discussões, mas depois tudo ficava muito melhor, por que isso ajudava a gente a crescer, a conseguirmos ser pessoas melhores um para o outro, para que a banda conseguisse sobreviver à todas essas dificuldades e essa cena conturbada que é o independente.
Tomem cuidado com “produtores” de eventos undeground! Tem muita gente querendo ganhar em cima do sonho de jovens. Prestem atenção pra não serem levados pra trás, ou para que algum rolê ou show que não tenha dado tão certo, acabe decepcionando você ou seus amigos, não deixe que isso afete a estabilidade da sua banda, terão muitos altos e baixos, e é preciso tentar passar por todos os momentos!
No mais, parafraseando Marcelo Camelo, aponta pra fé e rema, que a música te leva.

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