O que você precisa saber para contratar músicos para seu próximo ensaio ou show

Todo mundo precisa de uma mãozinha de vez em quando. Ela pode ser paga ou de graça… Quando estamos falando de músicos para tocar com você, é claro! Vem saber quais as regras para contratar (ou emprestar) quem te ajude no palco

iStock_000019082957XSmall-300x199Por Chris Robley

Uma aula de etiqueta para artistas que planejam contratar músicos para uma gravação ou show

Você está pensando em arregimentar músicos para te ajudarem na gravação do seu próximo disco ou num show que vem aí?

Lembrar sempre da Regra de Ouro e usar do bom senso podem ser duas coisas que vão te ajudar muito a conseguir sucesso nesse experiência, quer você esteja pagando essas pessoas ou não.

Meu amigo Pony (que eu escalei para tocar baixo na minha banda uma vez) e eu estávamos conversando sobre a vida de “mercenário” e bolamos alguns toques para bandas que precisarem contratar alguém.

E aqui vão eles…

Não presuma que todo músico contratado é igual.

Cada um deles tem suas qualidades, suas necessidades e suas esquisitices. Comunicação adiantada é fundamental. Quanto menos surpresas houver em ambos os lados, melhor.

Tablatura? Sem tablatura? Improviso? Sem improviso? Conversem sobre isso!

Você espera que os músicos consigam tocar tudo de ouvido e ainda consigam improvisar uns trechos que não estavam previstos? Ou você prefere que eles toquem só o que estava previsto nas tablaturas? Será que eles deveriam ouvir a faixa que vocês vão gravar e descobrir qual é a parte que devem tocar? Ou você prefere que eles, na surpresa, façam alguma coisa selvagem e imprevista?

Tenha todas essas conversas ANTES do seu primeiro ensaio, gravação ou show. E deixe os músicos à vontade com a situação em que vai colocá-los.

Não faça eles perderem tempo.

Há muitos jeitos de disperdiçar o tempo de um músico: fazê-los aprender músicas que acabam não sendo tocadas; marcando enasaios demais; pedir que eles cheguem 4 horas antes do show, sendo que no fim vocês só vão fazer 5 minutos de passagem de som.

Você não gosta que disperdicem seu tempo. Então não faça isso com os outros, mesmo que estiver pagando.

Discuta o horário, antes do horário.

Quantos shows seus contratados terão de fazer? E quantos ensaios? Qual é a duração dos ensaios? Etc. De novo, sem surpresas!

Se você não estiver pagando, faça o que for mais conveniente para eles.

Você prefere ensaiar antes das gravações em casa em vez de ter de cruzar a cidade para ir a um estúdio? Tá bom. Se os músicos estão fazendo trabalho voluntário, você não pode exigir muito deles. Se você vai cobrar demais, pague!

Se o seu projeto não for criativamente satisfatório para o músico, você deve oferecer um benefício extra.

Se o trabalho não é recompensador, os músicos vão eventualmente ficar esgotados (mesmo que você os esteja pagando). Então… descubra por que eles estão te ajudando. Qual é o benefício que os motiva mais? É pela diversão ou pela amizade? Um pagamento gordo? A oportunidade de fazer networking com bandas boas? É legal porque você está tocando em casas de show incríveis? As plateias estão lotadas? Talvez seja porque você deixa eles solarem por uns momentinhos do show? Contanto que os músicos esteja, saindo com alguma coisa desse negócio, eles continuarão nele.

Pode ser que você tenha contratado um baixista que ama metal para tocar na sua banda de jazz. Ele não ama a fusion music, mas acha ok tocar com você enquanto você lotar casas de show legais. Se isso mudar, entretanto — digamos que você comece a tocar em praças de alimentação — ele pode querer cair fora desses shows. Já espere a exaustão e mantenha os benefícios vivos!

Saiba quais são os pontos fortes deles com antecedência.

Não contrate qualquer um que você achar online. Saia e veja shows de várias bandas locais. Veja quem são os músicos. Se você quer contratar alguém para um ensaio ou um show,tente ver essa pessoa tocando ao vivo, para ver se ela entende do riscado.

O guitarrista mais incrível da cidade pode não ser o ideal para a sua gravação se você quiser improviso e ele não curtir isso. Ou talvez o melhor cantor não seja muito bom de criar harmonias. Conheça os talentos das pessoas e os chame por causa desses talentos. Não os coloque numa situação em que eles não conseguem ir bem.

Se eles não conseguirem ir ao show, não insista

Não fique brabo se alguém recusar um show. Eles podem estar ocupados. Eles podem estar numa fase em que precisam garantir tempo para seus próprios projetos. Então seja educado. Pergunte se eles podem indicar outro alguém para o show. E, principalmente, não tenha medo de perguntar de novo mais para frente. Pode ser que eles queiram fazer o próximo show. Você, ou o músico, podem estar em putra situação quando a hora do show finalmente chegar.

Acerte o ponteiro sobre os objetivos de todos.

Esse é meio que a junção de outros pontos acima, mas tem algo a mais: além de ser honesto quanto a suas expectativas e como será o processo, você também deve discutir o que quer alcançar. Se o músico estiver a bordo dos mesmos planos, isso pode ser um ânimo a mais para seguir adiante.

Quando você não estiver pagando as pessoas, etiqueta é o que mais importa.

Um músico de gravação pode achar ok ter de repetir 300 vezes uma música enquanto você está agindo que nem uma diva — se você estiver pagando ele bem. Se ele estiver trabalhando de graça, nem tanto.

Construa uma comunidade de músicos em que você possa confiar.

De novo, você não quer que as pessoas fiquem esgotadas. Então faça muitos amigos. Seja profissional e construa um nome para você mesmo como alguém que trata músicos com respeito e arma shows ou sessões de gravação legais. Quanto maior for sua agenda, melhor;

Não presuma nada sobre grana. Fale sobre a conta antes.

Se o músico não for um amigo próximo, você tem de conversar sobre dinheiro antes. Aliás, mesmo que ele seja seu amigo próximo, você precisa conversar sobre dinheiro antes. Essa é sua obrigação como chefe da banda.

Alguns músicos ótimos podem ficar felizes de te ajudar de graça (se eles tirarem algo dessa relação, como já mencionei acima). Outros vão esperar algum tipo de pagamento. Não tenha essa conversa climão só no fim da noite.

Você pode achar que está sendo muito generoso quando tirar a nota de R$ 100 do bolso depois de duas horas no estúdio, mas a pessoa que você “contratou” pode ter uma concepção diferente e se sentir completamente explorada. Evite isso. Fale da grana antes.

Request and accommodate appropriate instrumentation.

Essa é outra variação do tema “fale antes de fazer”, mas que é crucial para o sucesso: seja bem específico quanto a instrumentos e equipamentos!

Um baixista de jazz pode achar que ele deve levar seu contrabaixo acústico, para chegar na hora e descobrir que está competindo com uma guitarra, teclado e três metais –e ninguém pediu para ele levar um amplificador. Ou o tecladista, que ouve que precisará tocar piano numa sessão, mas descobre chegando no estúdio que queriam um som de órgão —e ele não levou seu teclado eletrônico com sons de órgão.

Não surpreenda as pessoas nem crie situações em que eles ficarão desconfortáveis.

Avise se eles vão precisar levar comiga, bebida etc.

Um músico faminto é um músico bravo. Avise se eles precisarem levar marmita.

Todas essas dicas chegam basicamente ao mesmo ponto: Aumente o conforto do músico, aumente a qualidade do trabalho deles. Sua música merece a melhor apresentação, não?

Você é um “mercenário”?: O que torna um show bom? Quais são as coisas que te enlouquecem? Conte para a gente nos comentários.

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2 Comentários

  1. juanrossi@bol.com.br'
    by Juan Rossi on julho 30, 2016  19:03 Responder

    É gente, estou com 58 anos, numa fase terrível - como na acachapante crise nossa - em que todos os burros dão n'água; e preciso no momento ir para a frente com um sonho de juventude: levar uma banda aos EUA e por lá tocar e- como nos sonhos - nada funcionar. Estou com um projeto Rouanet esperando captação, encerrando no fim do ano, e pretendo chamar 3 amigos a tocar nacionalmente - quase de graça, o que nunca fiz. O ensaio é num amigo meu na Granja Viana, pois ele disponibiliza o lugar para isso. Tenho de verter as partes todas ao Sibelius 7, correr para marcar apresentações em dias factíveis e ainda procurar quem possa me imprimir um banner, programas e ajuda de custo aos músicos. Minha conta e vida está um desastre. Até comprei um órgão Crumar-Mojo (Hammond) com pedaleira para tocar nisto! Estou ainda perdido, embora andando. Não tenho, além da boa vontade destas pessoas - da qual não devo abusar mesmo -, nada a compactuar com meus planos...

  2. g.henry.f@live.com'
    by Henry on setembro 20, 2017  00:48 Responder

    Meu caro Juan Rossi, sinto muito lhe dizer, mas como já dizia o Murph: Aquilo que tem a mínima probabilidade de dar errado, em algum momento dará errado.
    Dinheiro é a base de tudo, estou no mesmo barco que você, diferindo apenas na idade: 24 anos.
    Boa sorte para nós

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