Eis como músicos usam o Facebook Live e conseguem resultados! (Parte 2)

É hora do show (e da transmissão por FB Live): Leia a segunda parte da história da banda que fez uma bruta ação de marketing sem gastar quase nada, transmitindo seu show pela rede social.

Eis como músicos usam o Facebook Live e conseguem resultados! (Parte 2)Por Wade Sutton

Se você não leu a primeira parte deste post, ela está AQUI.

Agora é hora de falar sobre o que aconteceu na noite do show… tanto das coisas boas quanto das não tão boas.

Eu estava dirigindo até a casa de shows em Ohio e tinha acabado de pegar uma saída na estrada quando começou a nevar…PESADO. Eu comecei a me preocupar imediatamente com o impacto que o clima ia ter sobre o número de pessoas na platéia, mas mantive minha esperança quando lembrei que a banda já tinha tocado lá duas vezes e tinha lotado a casa nas duas.

E daí começou a nevar ainda mais. Ainda bem que eu estava chegando na casa de shows, e vi que já tinha carros no estacionamento. Não eram tantos quanto eu esperava ver, mas pelo menos não era uma cidade fantasma e ainda faltava uma hora para a banda subir ao palco.

VESTIDOS PARA O SUCESSO

Isso é algo que gera debate. Eu tenho tolerância muito baixa para como alguns artistas se vestem e se apresentam em alguns shows. Eu tive que dispensar vários clientes nos últimos anos porque eles não se esforçaram para ficarem ótimos no palco

E, sim, isso é um debate que tive com a Amanda, depois de ver alguns vídeos de shows deles, antes de eu ter sido contratada para cuidar dos shows. Eles não estavam FEIOS nesses shows…eles só estavam casuais demais. Eu sempre falo para o artista que há uma expectativa visual da maioria dos fãs quando vai a um show (seja ela consciente ou não).

Então eu não preciso dizer que eu fiquei muito feliz ao entrar no camarim e ver a banda se preparando, todo mundo na estica, as meninas com o cabelo e a maquiagem certos. Eles estavam com uma cara ótima. Estavam bonitos como eu nunca os vi. E eu disse isso aos berros.

É sério.

Você nunca sabe quem está vendo o seu show e o que essa pessoa pode fazer para você mais para a frente (você vai ver o que aconteceu com a banda mais pro fim do texto).

É HORA DO SHOW

A banda subiu no palco às 21h e o plano era fazer a transmissão de três músicas pelo Facebook Live no finzinho do primeiro set, que deveria terminar por volta das 22h.

A banda contratou uma empresa profissional de áudio e vídeo para montar a tela de projeção que ficaria no fundo mostrando a transmissão do FB Live para o público. Essa tela acabou montada na lateral do palco, porque a arquitetura da sala não permitia que ela ficasse no palco (que teria sido o ideal);.

As pessoas continuavam entrando e, por mais que o público ainda não fosse tudo o que a gente esperava, começamos o primeiro set. Para dificultar ainda mais as coisas, muitas das pessoas na platéia pareciam alérgicas à pista de dança e ao gargalo bem na frente do palco. E tudo isso parecia estar sugando a energia da banda. Eu jantei com a Amanda e com o Michael umas duas semanas depois do show e o Michael admitiu que a platéia menor do que ele esperava foi um balde de água fria assim que ele pisou no palco.

Mas eles fizeram exatamente o que tinham de fazer: continuaram tocando com animação…algo que valeria a pena mais para a frente, na mesma noite

Aí as coisas começaram a ficar interessantes.

Eu estava sentada com a Alyce (a amiga da banda que topou filmar a apresentação para a transmissão) e a gente estava de olho para onde a banda estava do set list. Não demorei muito para ver que a gente estava atrasado. A banda tinha divulgado a transmissão de Facebook Live para as 22h, mas parecia que a gente só ia começar por volta de 22h30.

Eles perceberam o atraso também, porque de repente pularam algumas músicas para conseguir se aproximar do horário combinado.

Isso criou outro problema que precisaria ser resolvido pensando rápido.

Como você vai ver no vídeo da transmissão, abaixo, a transmissão por FB Live começou com Jones Family Reunion, uma música que começa com uma mulher da platéia subindo ao palco para participar de um pedido de casamento encenado, feito por Nathan. Quando a banda pulou várias músicas, eles foram para a música que vinha antes da transmissão começar. E uma das músicas que pularam era uma canção acústica que permitia que o Nathan saísse do palco e encontrasse uma mulher que topasse encenar um pedido de casamento em Jones Family Reunion.

Foi aí que a Alyce disse “eita” e me perguntou o que a gente deveria fazer. Eu respondi: A gente pede ajuda para a primeira moça que passar na nossa mesa.

E foi exatamente o que fizemos.  A gente tinha que resolver esse problema rápido, porque tínhamos de conseguir uma fã que topasse subir no palco para ficar na frente de todo mundo, mas também que essa pessoa assinasse um termo de autorização de uso de imagem, já que os vídeos seriam transmitidos e depois usados para o marketing da banda.

Então eu parei uma moça e expliquei o que a gente queria que ela fizesse. Que ela subisse no palco, levei ela para assinar a papelada, avisei o Nathan enquanto ele estava tocando que a gente tinha conseguido alguém, sinalizei que estava levando a moça para o backstage e ainda levei ela para atrás do palco. Tudo isso no tempo que a banda estava tocando uma música de três minutos e meio.

E daí apareceu outra lombada. Enquanto eles estavam terminando a última música antes da transmissão, eu estava no backstage com a Alyce, que estava com dificuldade de conseguir sinal de Internet no telefone que a gente usaria para fazer a transmissão do FB Live.

No lugar em que a casa de show ficava, o 4G era difícil de pegar. É uma área rural. A casa tinha wifi aberto, e o sinal estava bom o suficiente mais cedo, mas a conexão começou a oscilar quando o show estava para começar. O telefone que a gente ia usar era da Brittany (a irmã da Amanda e tecladista da banda) então eu decidi tentar fazer a transmissão pelo 3G, e disse para a Alyce correr até o palco e pedir para a Brittany fazer uns ajustes no telefone.

Aqui vai um fato que você precisa lembrar sempre que for tentar fazer um vídeo de FB Live de uma casa de show. Muitos artistas não têm um plano de uso de dados ilimitado, e o FB Live consome muito, porque faz streaming de áudio e de imagem. Então esses artistas tendem a usar o wifi da casa de show. Em muitos casos isso não é uma má escolha, mas você tem que levar em conta que muitas pessoas usando o wi-fi ao mesmo tempo que você tenta fazer sua transmissão pode diminuir muito a qualidade do sinal e impactar a qualidade da sua transmissão. Ou pior: você pode ter sua transmissão derrubada no meio.

O problema pode ficar ainda maior se as pessoas que estão nos bares ao redor tentam usar o wifi da sua casa de show, o que acontece bastante. Eu me lembro de me hospedar num hotel em Nashville, para um evento chamado CMA Fest,  e o sinal do wi-fi estava péssimo do nosso lado do hotel, então eu tive de ir até o Taco Bell  que ficava ao lado para usar a internet durante toda a minha estada. Às vezes você tem de planejar para pagar o uso de internet que vem com uma transmissão de Facebook Live e engolir esse valor.

Voltemos ao show.

A Amanda instruiu a platéia antes de a transmissão começar, enquanto a Alyce montava o equipamento com a Brittany,  e a gente levou o voluntário para o palco. Assim que começamos a transmitir ao vivo por FB, o pessoal da empresa de áudio e vídeo que tinha sido contratada começou a projetar o vídeo no telão que estava do lado do palco, e a gente estava pronto para começar.

A TRANSMISSÃO

Por mais que a banda tenha continuado mostrando muita animação, apesar de o público no começo ser menor do que o esperado, o comecinho da nossa transmissão por Facebook Live fez com que eles mudassem, como se tivessem ligado um botão. Eles ficaram animados em outro nível. Pessoas da platéia que estavam sentadas olhando para o telefone começaram a olhar para o palco. Eles ficaram com vocais mais fortes e, conforme iam tocando as três músicas, as pessoas começaram a ir para a pista de dança. Além da gravação, esse ânimo contaminou o resto do show e mudou a dinâmica da platéia com a banda pelo resto da noite.

Uma das coisas prediletas na transmissão veio na forma de um comentário que um fã deixou na página do Facebook Live, dizendo que era o melhor show que ela já tinha visto naquela casa de show. As pessoas sacaram seus celulares e fizeram vídeos do show, e postaram nas suas redes sociais. O pessoal estava fazendo exatamente o que a gente queria que eles fizessem.

Eis o vídeo completo do FB Live…

Além do vídeo de Facebook Live, eu também filmei a apresentação toda bem da frente do palco. Eu só perdi o primeiro minuto da primeira música porque tive de levar a moça voluntária da platéia, que seria pedida em casamento, para o backstage e, por alguma razão misteriosa, meu telefone cortou o finalzinho da última música. De qualquer forma, a filmagem vai ser mais do que suficiente para a banda fazer um clipe com os melhores momentos, para mandar para futuros clientes.

A quem interessar possa, o vídeo do Facebook Live foi feito com o celular da Brittany, um iPhone 6. E o vídeo da apresentação da banda, que eu fiz bem de frente ao palco, foi feito com um Samsung Galaxy S5.

E, para quem se lembrar da foto da Amanda nos ombros de Nathan durante o ensaio (a foto estava no primeiro post), eis a foto do mesmo momento, mas durante o show.

Eis como músicos usam o Facebook Live e conseguem resultados! (Parte 2)ALGUMAS COISAS SOBRE O SHOW

Uma das primeiras coisas que você provavelmente vai notar é que a gente NÃO jogou a caneca de chopp. O Michael entrou em contato com a empresa da Califórnia que fez o vidro cenográfico que a gente queria usar, mas ia demorar tempo demais para eles mandarem um produto para Ohio e ainda conseguir cortar o vidro do tamanho que a gente queria. Então a gente teve que guardar essa idéia de momento para usar no Facebook Live, mas é uma coisa que queremos usar num show ainda este ano. É bom ter uma carta na manga.

Tem algumas coisas que a gente pode fazer diferente das próximas vezes, entre elas

  • Para a próxima transmissão, eu acho que a câmera pode ficar num eixo de três apoios. Se você não sabe o que é isso, é um dispositivo que acaba com qualquer tremida. O cameraman pode mover seu braço, que o telefone se move com estabilidade. Você consegue comprar um desses na Amazon por US$ 100 ou US$ 200. Há outras alternativas, mas muitas delas não usam três eixos, e ouvi muitas pessoas dizendo que essas outras opções requerem um pouco mais de prática para usar. Eu não quero arriscar, então prefiro o mais fácil de usar..
  • Uma outra mudança sutil que eu faria é manter a câmera focada um pouco mais em cada músico antes de se mover para a próxima pessoa. A Alyce fez um trabalho incrível filmando, ainda mais se levarmos em conta que era sua primeira vez e que só tivemos dois ensaios

O engajamento entre a banda e a câmera foi muito melhor do que o previsto. Isso muda toda a dinâmica de fazer um Facebook Live num show. Os espectadores não estão mais vendo a banda da lateral do palco. Assim, eles se sentem fazendo muito mais parte da apresentação.

Enquanto essa banda lutava para trazer a galera para a pista de dança na primeira metade do show, ter feito a transmissão direto do palco mudou muito como as pessoas se portavam. E a banda até entrou na dança, com Michael se ajoelhando para tocar guitarra enquanto as pessoas jogavam pipoca para cima, e ele tentava pegar com a boca. Aqui embaixo você vê fotos da banda enquanto eles faziam uma disputa de canto meninos contra meninas…

Eis como músicos usam o Facebook Live e conseguem resultados! (Parte 2)E quando eu saí da casa de show, logo depois da transmissão terminar, eu fiz essa foto da pista de dança…

Eis como músicos usam o Facebook Live e conseguem resultados! (Parte 2)E AGORA, PARA ONDE VAMOS?

Lembra mais para cima, quando eu disse que você nunca sabe quem está vendo o seu show, e para onde eles vão? Antes desse show, o Michael tinha passado dois ou três anos tentando ser chamado para fazer um grande show. Um era numa casa de show em Geneva On The Lake (um ponto turístico no Lago Erie) e o outro era num grande festival em Mentor, Ohio. Ele nem conseguia que os organizadores retornassem suas ligações.

Na noite que ele fez esse show, um cara que conhecia os produtores dos dois eventos estava na platéia. Ele ficou embasbacado com o que viu. Dentro de 24 horas do show, tanto a casa de show quanto o festival tinham marcado um show com a banda. Um deles marcou imediatamente e o outro está fechando uma data. Dois ou três anos de tentativas frustradas de chamar a atenção das pessoas acabaram assim.

E isso foi menos de 24 horas depois do show acabar!

Agora a banda está trabalhando para transformar os vídeos, tanto a transmissão ao vivo quanto as outras tomadas que fizemos enquanto eles se apresentavam, num compilado de melhores momentos. Esse vídeo vai servir para quando eles quiserem se oferecer para fazer um show em algum festival ou tocar em universidades. O vídeo VAI conquistar vários shows para eles. Também queremos colocar esse vídeo no site e no press kit deles e achar maneiras de usá-lo nas redes sociais.Vale lembrar que, mesmo o áudio do vídeo não seja da melhor qualidade, o áudio do ao vivo NÃO VAI aparecer no vídeo de melhores momentos, vai ser substituído por uma das músicas de estúdio deles.

Comparado ao número de views de muitos outros vídeos da banda no Facebook Live, a transmissão dessas músicas ao vivo gerou um aumento de 300% no número de views! BUM!

A gente tem vários outros shows grandes para se preparar nos próximos meses, e vamos manter o show fresco com novos elementos visuais. O próximo show vai ser o primeiro em que a banda vai usar pirotecnia. Eu também aconselhei a Amanda a se preparar fisicamente, porque os shows vão começar a exigir cada vez mais dela. A gente está até planejando que ela se apresente em cima de um andaime a 12 metros de altura. A gente também está desenvolvendo vários jeitos de usar vídeos nos shows.

Isso tudo nasceu de um set de três músicas e 12 minutos, criado especialmente para uma transmissão de Facebook Live. A gente saiu da caixinha na hora de pensar no que faríamos, fizemos algo diferente da regra, planejamos por nós mesmos e depois executamos de maneira espetacular.

A banda até conseguiu chamar a atenção de uma gravadora de artistas independentes em  Nashville, uma empresa que reúne pessoas com experiência no mercado da música e de rádio. Esse selo até convidou eles a fazer um mini show durante o seminário Country Radio Seminar, em Nashville (esse show está acontecendo enquanto eu escrevo este texto).

Para Amanda Jones & The Family Band, 2017 está sendo um ano muito produtivo.


FBEvents Guide

Comente

Seus email não será publicado.