Como promover sua música com parcerias e aliando-se a marcas

Se a Coca-Cola quisesse patrocinar sua turnê, você toparia? E se o Greenpeace quisesse você tocando num evento deles, mas sem ganhar nada? O Blog CD Baby te ensina a perseverar no mundo das parcerias.

rbmadeck-300x190[Este post foi escrito pelo colaborador Kelley James, que é artista CD Baby e músico que gerencia sua própria carreira]

Na era digital, a cara da indústria da música muda todo dia. Para onde você olhar, o mercado está evoluindo (ou decaindo) e isso muda como os principais jogadores desse espaço estão se relacionando. Enquanto plataformas e redes sociais tipo Facebook e MySpace permitiram que artistas pulassem o papel dos selos e das rádios comerciais, há um lado ruim nesse ambiente de música-de-graça-para-todos.  Com o acesso universal chegam centenas de milhares de novas vozes, literalmente; todos ansiando por curtidas, por ouvidas no Soundcloud plays, hits no YouTube, e pelo coração dos fãs em potencial.

Isso deixa você, o artista, com um dilema: como eu me destaco na multidão?

A resposta é simples: você precisa de um diferencial.

Enquanto muitos aspectos da indústria da música caducaram, há uma razão para artistas desde sempre fazerem parcerias com outras partes, tipo um selo, na hora de ter sua música ouvida; isso passa a eles a credibilidade e a reputação de um nome já estabelecido, para que eles não tenham que partir do zero. Definitivamente já um começo melhor do que apenas trazer todos seus amigos de Facebook à sua página e esperar que eles curtam!

É muito tentador poder comandar o próprio show quando o assunto é gerenciar sua música, e isso é um fator que traz muitos de nós para a auto-gestão ou para a cena independente. Dito isso, vale lembrar que nenhum homem (e nenhuma banda) é uma ilha Há várias oportunidades de fazer parcerias com gente que gosta do seu estilo de som para conseguir divulgar seu nome.  Nos meus mais de cinco anos de experiência como músico de turnê, encontrei algumas oportunidades de parcerias que me permitem alcançar mais pessoas do que conseguiria sozinho.

Para ter alguma de ideia de o que pode fazer para promover seu trabalho em parceria, fiz uma listinha:

1. Eventos Fechados

Se aprendi algumas coisinhas sobre as pessoas, é que elas gostam de boa música, gostam de badalar, e se conseguirem ter essas duas coisas ao mesmo tempo, melhor ainda.  É provável que você conheça alguém que vai dar uma festa em breve, e eles provavelmente não terão grana para chamar os Black Eyed Peas para tocar. É aí que você entra.

Eu comecei lá embaixo, tocando meu violão em festas do ensino médio –às vezes mesmo quando as pessoas não me chamavam. Uma hora as pessoas vão começar a te conhecer como o cara que toca música, e com uma rede de conhecidos grande o suficiente, isso pode render mais do que você pensa. Quando entrei na faculdade, comecei a dar festas eu mesmo, só para que eu e minha banda pudéssemos tocar, e, antes que eu visse, as pessoas também estavam me chamando para tocar nas festas delas. Depois de um tempo, eu estava tocando em repúblicas e festas grandes de fraternidades da faculdade, e depois do um tempo eu fiz uma turnê só nesse tipo de casa e de evento.

Anos de estrada depois, eu ainda sou chamado com frequência para tocar em eventos fechados, de tão boa é a rede de contatos que teci e de tanto que deixei claro que estava disponível para tocar. Enquanto você provavelmente terá de fazer esses shows de graça, eles podem virar uma fonte de renda jorrante no futuro, se você seguir os passos corretos. Lembre-se, o primeiro passo é começar. Shows em casas hoje serão shows em mansões amanhã.

2. Funções de caridade

Uma vez que você tiver exaurido sua rede de contatos para oportunidades, é hora de pensar em doar seus préstimos musicais para Organizações Não Governamentais ou eventos de arrecadação de fundos. O lado ruim desse tipo de parceria é bem óbvio: você não vai ganhar nada. Os pontos altos são vários, entretanto.

Primeiramente, você pode escolher um nicho que se identifique com sua personalidade como músico ou artista. Eu tenho um parente no Exército, então sempre tive o coração mais mole para questões militares. Consegui firmar uma parceria com meu amigo Barry Zito e sua caridade Strikeouts For Troops para levantar dinheiro para veteranos de guerra. Eu também tento fazer aparições em hospitais infantis sempre que minha agenda permite. Uma das minhas especialidades em shows é fazer improviso em cima de uma palavra dada por uma criança da plateia, e elas adoram isso, então faço questão de que seja um dos números principais nas minhas apresentações lá.

Segundo, a maioria dos eventos de caridade terão uma diversidade de público bem maior do que você encontraria normalmente. Se você está começando, eles também podem ter uma plateia maior do que a que você conseguiria reunir. Aumentar o escopo da sua música te ajuda a conseguir mais fãs do que a molecada que fez colegial com você. Pode não ser a galera a que você e sua banda estão acostumados (você pode ter de “modificar” as letras de algumas canções) mas sair da sua zona de conforto só vai ajudar a você e a sua banda.

Por fim, você está fazendo algo por uma boa causa, e é bom que as pessoas vejam você fazendo isso.

3. Apoio Criativo

Todo mundo quer vender discos, mas ninguém quer se vender. Sei que pode não parecer o ideal à primeira vista, mas firmar parceria com uma marca ou com um produto que se alinhe com seus valores pode ser benéfico. Se você está cético e não me leva a sério, escuta aqui.

Há muitas marcas que as pessoas identificaram como confiáveis, ou pelo menos capazes de fazer ótimos produtos, como os que elas querem usar. Associação por marcas nos permite encontrar pessoas que têm interesses similares, novos produtos que talvez a gente gostasse de usar e novas ideias que deveríamos ter ouvido, mas ainda não ouvimos. No fim, você é sua própria marca sendo músico, e alinhamento estratégico da sua marca com uma marca de produtos  que façam sentido para você, e todos saem ganhando.

Com o passar dos anos, eu ignorei o caminho óbvio de trabalhar com um selo, mas trabalhei como artista independente e paguei minhas contas trabalhando com patrocinadores que se adequavam à minha imagem e vendiam coisas de que eu gostava. Uma das minhas primeiras turnês foi patrocinada pela Oakley e pela Muscle Milk. Oakley faz produtos irados que eu fico feliz de usar e a Muscle Milk faz leites proteicos com gosto ótimo, então aceitei contente que eles me ajudassem a pôr meu show na estrada. Red Bull me convida a tocar nas festas deles, e se você já saiu em turnê, sabe que bebidas com cafeína são tão importante quanto (ou ainda mais) que comida e água. Hoje em dia, estou numa turnê parcialmente financiada pela tequila Casamigos. A empresa é de um dos meus melhores amigos, e eu também adoro beber tequila. Situação ganha-ganha.

Mas esse tipo de parceria não acontece da noite pro dia.  Você terá de ter horas de palco e fãs para chegar no ponto em que grandes empresas vão te notar, e você terá de conhecer muitas pessoas… mas as recompensas podem ser enormes.

Nem todo esforço de promoção por parceria que sugeri aqui vai funcionar para toda banda ou todo artista, mas a regra do jogo no mercado da música hoje é ter criatividade e inovar. Se você acredita na música que faz, só está se vendendo se não explorar todos os jeitos possíveis de entregar essa música para uma plateia maior.

E lembre-se… você não precisa fazer tudo sozinho.

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1 Comentário

  1. manamony@yahoo.com.br'
    by Jéssica on junho 12, 2015  19:20 Responder

    Para bandas que tão começando é difícil conseguir uma parceria, pois tem não ainda um público firmado.
    E digo bandas que toquem sons autorais. Pq bandas que toquem covers, já começam com um publico que são os fãs das bandas originais. Como conseguir apoio nesses casos? De patrocinadores e afins? Abraços

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