Como fazer um videoclipe você mesmo

Se você não tem dinheiro, não tenha pressa: bote a criatividade para funcionar e pense em quatro jeitos de fazer um clipe incrível sem precisar do orçamento de uma estrela, com ajuda do SomosMúsica

miniatura shutterstock_140154739Este post apareceu primeiro no blog Wistia.

Há muitas coisas de que você precisa para fazer um videoclipe independente com pouca grana, além de amigos criativos e material de filmagem. Produzir seu próprio vídeo exige criatividade, uma força de vontade para cuidar de cada detalhe e, acima de tudo, ideias focadas em metas atingíveis.

Então, se você é músico e está querendo divulgar seu novo irado com com um videoclipe, ou se você é um produtor à procura de novo material para trabalhar, eu adoraria compartilhar com você quatro soluções criativas que uso nos meus próprios clipes. Vou abordar prós e contras de cada tipo de vídeo e oferecer dicas para que seu próximo vídeo independente fique com qualidade MTV.

Apresentação ao vivo pelada

Se você ainda não conhece a série Tiny Desk Concert, da rádio pública americana NPR, eu recomendo com força que você confira. O que eu mais amo em apresentações “peladas” ao vivo, sem mudar nada do que seria um show normal, é que elas são fáceis de se filmar. Elas requerem um mínimo de equipamento de áudio, e deixam quem assiste com a impressão de ter visto uma versão íntima e verdadeira da canção que você está produzindo. Do que não gostar nisso?

Clique AQUI para ver um vídeo de apresentação ao vivo de Dan Mills, com “Best I Could.”

Ainda que se usem câmeras com ângulos bem diferentes nesse vídeo, ele foi filmado por uma só câmera (comandada por minha esposa Sasha) em várias tomadas diferentes. Eu sabia que queria um vídeo com vários ângulos e lados B, mas não tinha equipa. Então, com um pouco de estratégia e um tanto de paciência, nós resolvemos.

Para começo de conversa, eu e minha banda tocamos a música algumas vezes, enquanto a Sasha só focava em mim tocando guitarra e cantando de verdade, para gravar o áudio que iria com o vídeo. Dublar o vocal principal e fingir que se está tocando guitarra quase nunca parece natural em vídeo (pode confiar em mim), então é melhor usar as imagens que foram feitas de uma apresentação de verdade.

Depois que conseguimos gravar um áudio de que gostavamos de verdade, a gente fez offload da música usando nosso gravador H4n Handy Recorder e a colocou para tocar alto nas caixas de som. Daí a gente dublou essa versão algumas vezes, para que a Sasha conseguisse fazer umas tomadas mais artísticas (pés e mãos batendo, closes de instrumentos e esse tipo de imagem mais artística). Reveja o vídeo e tente descobrir que cenas são da nossa apresentação de verdade e quais foram as “falsas”, em que a gente estava dublando.

Nem toda música vai funcionar nesse modelo, especialmente se você não tiver uma banda de folk como eu tenho, mas seja criativo! As pessoas adoram ouvir versões acústicas de suas músicas prediletas.

Vídeo em plano-contínuo

Muita gente anda fazendo vídeos em plano-contínuo, e alguns deles são incríveis. O que eu mais amo nesse esquema de direção é que a produção do vídeo pode ser enxuta. O videoclipe está acabado no exato momento em que você tem uma tomada boa.

Vídeos em plano-contínuo quase sempre são baseados em um conceito forte. A qualidade não depende do tipo de equipamento que você tem, mas da ideia que sairá da sua cabeça.

Na Wistia, a gente filma vários vídeos em plano americano com um fundo de papel. Não só é uma estrutura mínima, mas era o que estava disponível para mim na época (dica profissional: sempre encontre jeitos criativos de usar o que tem disponível). Um dia, quando estava assistindo mais uma vez a “Annie Hall”, filme do Woody Allen, eu tive a ideia de fazer uma homenagem ao monólogo inicial do filme.

Confira o vídeo de homenagem AQUI.

Depois que a gente tinha arranjado o figurino e o Chris Lavigne (o produtor de vídeos da Wistia e meu amigo) tinha encontrado um jeito de imitar a iluminação, estávamos prontos para filmar. A parte mais difícil de fazer rolar nesse videoclipe foi a atuação. Nesse caso, eu tinha que decorar o monólogo e o recitar enquanto cantava a minha canção, ao mesmo tempo. Outros amigos nossos fizeram um trabalhinho de pós-produção, para tentar imitar as cores e granulação do filme e… voila! Vídeo pronto.

Não ignore os vídeos em plano-contínuo. Eles são um favor menor para pedir aos seus amigos que manjam de vídeo. Eles também são uma boa escolha se você ou seus colegas de banda forem bons de se filmar.

Vídeo com storyline

Eu comecer a ter consciência musical nos anos 1990. “November Rain,” “Mary Jane’s Last Dance“… É, esses anos 90. Nenhuma soma de anos como artista independente nem o entedimento adulto do que significa a expressão “acima do orçamento” vai diminuir meu amor pelo videoclipe roteirizado. Entretanto, quando você está dirigindo sua própria produção, esse pode ser um caminho mais difícil de se enveredar.

Clique AQUI para assistir a um dos nossos filmes roteirizados (da música “Young and Free”).

Escolher o caminho da “storyline” geralmente vem com muito trabalho extra. Haverá muita pré-produção envolvida para tirar sua ideia do papel, mas não só isso: a maioria dos vídeos com roteiro tem obstáculos logísticos. Para a filmagem de dois dias que programamos para “Young and Free”, tivemos de encontrar várias locações, ver como nos saíamos com construção de cenários, produzir vários jogos de tabuleiro, fazer casting de atores, nos preocuparmos com a direção, continuidade e, é claro… criar e seguir à risca uma longa lista de filmagem.

A opção roteirizada também foi mais trabalhosa para o produtor com quem eu trabalhava (você adivinhou—Chris Lavign, da própria Wistia). Chris estava disposto a ajudar com meu vídeo, mas ele teve de gastar muito mais tempo com as filmagens e com a edição depois que escolhemos esse caminho. Você tem alguém que toparia fazer isso por você? Ou você tem dinheiro para contratar alguém?

Vídeos com storyline são da hora, mas só se você tiver a ideia, o orçamento, o tempo e os talentos para fazê-los acontecer. Se eles forem feitos do jeito certo, podem elevar sua música e sua marca a um outro patamar. Mas, baseado na minha experiência, posso dizer que se ele não der certo, o fracasso vai ser pior do que com os outros tipos de vídeo.

Vídeos de letras

O vídeo de letras é uma solução sorrateira e com pouca pressão para seu videoclipe. Ainda que tecnicamente não se trate de um videoclipe, no sentido estrito do termo, é muito fácil de fazer e pode resultar numa experiência imersiva para o seu público. Esse tipo de vídeo dá ênfase nas letras por trás da sua música e pode adicionar camadas de significado para quem o ver, então reserve um bom tempo para pensar em elementos visuais bons, quando for parar para pensar no vídeo. Eu já experimentei esses três conceitos visuais:

Rede

Vamos dar o nome certo às coisas. Nenhum dos meus videoclipes teria rolado se não fosse pela minha rede de conhecidos. Então o conselho que eu mais daria para quem quiser fazer um vídeo é: lembre-se do networking!

Videoclipes são projetos muito bons para quem quer ser diretor ou diretor de fotografia. Vá a faculdades da região em busca de iniciantes. Ache pessoas que realmente querem fazer um vídeo com você, e estejam dispostas a entrar no seu projeto como colaborador.

E para todo mundo que estiver lendo esse post—vá atrás de um artista local que queira fazer um videoclipe! Vá para uma noite de calouros. Quem sabe? Quem sabe o artista não te dá em troca uma trilha sonora para o seu filme :).

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1 Comentário

  1. fabio_ssouza@icloud.com'
    by Fábio on agosto 6, 2016  22:47 Responder

    Parabéns pelos clipes (e músicas, claro) e muito obrigado pelas dicas. Muitos insights pra eu seguir com o meu trabalho.
    Grande abraço!

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