A biografia da sua banda é TÃÃÃO chata!

Daí, quando o cantor Zé das Couves encontrou sua primeira viola, com seis anos de idade, ele pegou ela no colo e… não soube tocar. Parece piada? Pois é com frases chatas assim que alguns músicos se definem nas biografias dos seus sites ou panfletos. Saiba como não botar o público pra dormir

A biografia da sua banda é TÃÃÃO chata!A maioria das biografias de músicos é mesmo “uma mina de informações inúteis”, como define o crítico David Lister, especificamente falando sobre o texto da violinista Julia Fischer, que estava impresso no folheto de um concerto?

Esta é a conclusão a que chegou Anastasia Tsioulcas na matéria que fez para a NPR, a rádio pública americana, chamada Why Can’t Artist Bios be Better? (Por que as biografias de atores não podem ser melhores?) Por mais que a reportagem seja focada em artistas de música erudita, muitas das lições que ela passa servem para artistas de qualquer estilo musical.

Eis o que Tsioulcas tem a dizer sobre biografias titicas de músicos:

Para mim, não é só um problema de frases mal construídas ou de gramática pobre, ainda que esses problemas existam. É uma questão maior, de concepção e de abordagem. Mesmo artistas solo ou grupos que se esforçam para projetar uma imagem nova acabam caindo, com alguma frequência, nos obstáculos que o Lister menciona. Aqui vai um exemplo típico (e real) de um texto desses, um grupo que é muito mais criativo e interessante do que a biografia deles sugere:

Parágrafo 1: seis frases de críticos americanos apontando como eles são brilhantes, preenchidas com orações com o mínimo de sujeitos e verbos para transformá-las em frases.

Parágrafo 2: uma lista dos prêmios que ganharam e os palcos internacionais onde eles tocaram.

Parágrafo 3: uma lista longa de compositores que andam escrevendo para eles (a maioria deles é desconhecida para as pessoas normais, a não ser que o leitor fosse cantor ou compositor).

Parágrafo 4: uma lista de instituições acadêmicas com quem eles trabalharam.

Parágrafo 5: uma lista de outros artistas com quem eles tocaram.

Sonequinha.

Como o Lister bem observa, a gente tem que ficar impressionado ou chocado que artistas bem-sucedidos tocaram em casas de show de prestígio? Ou que eles sempre colaboraram com pessoas top? Em vez de fazer essas listas infindáveis de pessoas, lugares e nomes, por que não gastar alguns parágrafos com temas mais humanos, interessantes e que vão trazer o leitor pra perto?

Então identificar o problema é simples. Sua biografia pode ser chata porque:

— Você está se achando demais, por causa das coisas que conseguiu e os artistas com quem já tocou

— Ela é longa demais, com muitas histórias de fundo inúteis; você gasta tempo demais falando da sua juventude, da sua cidade-natal ou da sua família, quando esses assuntos têm pouco a ver com seu som

— Você fica citando nome de gente famosa sempre que pode

— Seu foco fica na teoria demais, ou em aspectos do seu processo de criação de música, e não fala o suficiente da pessoa por trás da música

— Não há gancho emocional, não há drama, não há luta, não há triunfo

— Você não consegue criar um sentimento de urgência no leitor (seja de ouvir a música ou de saber mais detalhes da sua música)

Mas como se deve criar uma história memorável ao redor da sua música? Algo que vai capturar a imaginação de qualquer um que leia, independentemente de curtir sua música ou seu estilo?

Confira o artigo Introdução ao Marketing de Música: como criar e contar a “história” da sua banda que pode ajudar você ou a sua banda a criar uma boa história de vida.

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