Autopromoção em excesso: o melhor jeito de se queimar com seu público

É preciso acreditar no próprio talento quando se trabalha com arte. Mas cuidado pra não virar um mala que só fala de si e que cansa as pessoas nas redes sociais. Um breve alerta do SomosMúsica, aqui ó…

Autopromoção em excesso: o melhor jeito de se queimar com seu públicoHoje, tomando café com um amigo músico, discutimos o quanto vale ter um público leal—como ter uma rede de fãs legitimamente interessados em te apoiar é um dos bens mais valiosos para uma banda.

Enquanto a gente discutia tópicos como a frequência com que marcávamos shows, o grau de variedade das casas de show e como as bandas fazem seu próprio marketing, a conversa sempre voltava para uma ideia central: Não canse seu público.

Ela me contou como sua nova banda, apenas fazendo alguns shows, já está escolhendo bem onde e quando vai se apresentar. Ela disse que está tentando não ser um cego que guia outro cego, e quando eu perguntei o que ela queria dizer com isso, ela disse que eles estão tentando trilhar um caminho original, e não só seguir a trilha de outras bandas ou artistas.

Ela também disse que eles não estão fazendo shows todo fim de semana nem aceitando toda oportunidade de tocar que pinta. Eles tentam deixar um tempo passar entre um show e outro porque querem lotar a plateia de todos os eventos. Então eles são seletivos quanto à frequência e local, na esperança.

Eu imediatamente sugeri que eles começassem a reunir informações sobre seus fãs. Que começassem a reunir informações básicas, tipo nome e email, e depois fossem refinando essas informações com questionários e pesquisas que podiam aplicar no site da banda, para só entrar em contato com as pessoas quando for interessante para elas. Isso chama segmentação.

Como segmentar sua lista de emails conforme ela vai crescendo

Quando você estiver juntando nomes e endereços de email para o seu mailing, pense em pedir o CEP das pessoas também, para poder segmentar convites futuros por geolocalização.

Quando você colocar nome, endereço e CEP das pessoas no seu banco de dados, inclua uma coluna com a casa de shows onde essa pessoa te viu e as outras bandas que tocaram lá naquela noite. Se você for fazer outro show com essa banda, pode mandar um e-mail para eles dizendo “Já que você esteve no show no [NOME DO LUGAR] quando eu toquei com a [NOME DA BANDA] achei que pudesse se interessar nesse outro evento que vem por aí”.

Você também pode mandar por e-mail, para as pessoas que sempre vão a shows num lugar, um convite avisando quando você for tocar lá. As possibilidades são infinitas. No fim, enquanto você aprende a usar todas as possibilidades do mailing, vai acabar mandando menos convites para shows, mas eles serão muito mais pessoais e, portanto, eficientes.

Quando você troca de lugar e pensar no ponto de vista do seu público, é muito melhor receber um só convite, mas personalizado e de uma banda que te interessa muito, convidando para um show de graça no seu bairro, do que três ou quatro mensagens oferecendo ingressos para festivais que você não curte ou camisetas que você não vai comprar? Não e mais provável que você vá pedir para sair de um mailing quando os emails da banda não agregam valor? Lembre-se disso quando você for fazer marketing para os seus fãs.

Como evitar a estafa do público

O público fica estafado no mais das vezes por comunicações frequentes demais e/ou irrelevante.

Calibre a frequência

Seja realista quanto ao tempo entre uma comunicação e outra e o ritmo com que você deve utilizar cada plataforma. Por exemplo, você vai interagir mais nas mídias sociais do que por e-mail, e tudo bem —a palavra-chave aqui é consistência.

Acredite na relevância

Frequência é uma coisa fácil de gerenciar; qualidade e relevância exigem muito mais trabalho e humildade. É aqui a segmentação do seu público, que você criou lá atrás, vai entrar em ação, enquanto você pensa no que vai ser interessante para os seus fãs.

É aqui que você também deve ser criativo e pensar em jeitos divertidos, ainda que realistas, de continuar construindo relacionamentos com seus fãs até que eles virem defensores da sua marca (e da sua banda).

Filme vídeos com o seu telefone nos ensaios, ou de alguém da banda fazendo algo engraçado. Compartilhe nas redes sociais e cite isso no seu próximo newsletter. Tire fotos dos fãs nas plateias dos shows e depois faça uma colagem digital para compartilhar em diferentes plataformas e formatos.

Escreva posts para o seu blog sobre a vida em turnê e como é gravar no estúdio e funciona seu processo criativo. Esses são tópicos para iniciar uma conversa; a ideia geral é dar para o seu público sempre jeitos de se identificar e se relacionar com você.

Só vale lembrar que, quando alguém te dá seu endereço de email, te deu com ele a permissão para vender seu produto diretamente, e essa é uma ferramenta incrivelmente poderosa. Não queime essa oportunidade mandando e mails demais para as pessoas.


Biografia da Autora: Danielle Look é Coordenadora de Conteúdo na @relevance e Editora na @indymojo. Siga ela aqui: @DanielleL00k.


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