4 coisas que eu teria feito diferente na minha campanha bem-sucedida de ‘crowdfunding’

Mesmo quem vence revê seu desempenho: um artista que conseguiu juntar dinheiro numa vaquinha revê sua campanha de crowdfunding e diz o que faria diferente

4 coisas que eu teria feito diferente na minha campanha bem-sucedida de ‘crowdfunding’No começo de 2016, eu lancei meu primeiro álbum em cinco anos.

Foi ótimo sentir que eu estava tirando a ferrugem. E algumas coisas boas saíram de lá (além da simples satisfação de colocar sons novos no mundo): uma crítica boa no No Depression, uma estreia de videoclipe no KCRW, e uma série de shows super divertidos em Portland, Oregon, junto com a banda que tinha me ajudado a criar essa música.

Mas todas as etapas desse trabalho, especialmente o trabalho com a plataforma de arrecadação PledgeMusic e a campanha de relações públicas do álbum, me lembraram que qualquer coisa bem feita — e feita por conta própria — vai demorar duas vezes mais tempo do que você havia estimado no começo.

No ano passado, no meio da minha campanha de crowdfunding, eu escrevi o guia “A Musician’s Guide to PledgeMusic: building and running a campaign for my upcoming album” (Um guia para músicos no PledgeMusic: como construir e colocar em prática uma campanha de arrecadação para o meu álbum). Para todo mundo que nunca fez um crowdfunding, o artigo é um resumo do processo, ou pelo menos do meu processo no PledgeMusic.

Mas, olhando em retrocesso, há algumas coisas que eu teria feito diferente durante minha arrecadação no PledgeMusic. Eu não estou dizendo que eles necessariamente valeriam para a sua campanha de arrecadação, mas talvez essas perspectivas sejam úteis.

Eu também sei que algumas dessas “lições” já foram ensinadas em vários tutoriais de crowdfunding. Então por que eu não as levei em conta quando fui para a prática? Eu acho que a coisa foi se formando conforme se desenvolvia. Aprendi com o tempo!

Então aqui vai…

1. Eu não teria gasto tanto tempo criando um vídeo

No fim, eu diria que uns 95% das pessoas que contribuíram comigo no PledgeMusic já eram fãs, amigos ou familiares. Contanto que meu vídeo não fosse uma desgraça, eles iam colaborar de qualquer jeito.

Eu digo isso porque, bom, eu gastei muito tempo fazendo o vídeo. Não manjo muito de edição, e não tinha grana para contratar alguém para fazer o vídeo para mim. Portanto, para que o resultado ficasse decente e capturasse o espírito do projeto, devo ter gasto três vezes mais tempo do que deveria: coletar as imagens e descolar fotos de eu me apresentando, filmar cenas de novas músicas, entrevistar dois músicos que estão no álbum, criar gráficos, escrever meu “script,” descobrir como usar o Final Cut Pro X e depois colocar todas essas coisas juntas.

Eu me orgulho do meu vídeo, não me leve a mal — mas acho que poderia ter alcançado minha meta quase tão rapidamente quanto se tivesse usado a câmera do meu iPhone por 45 segundos e contado por que estava animado com o novo álbum.

Então, o vídeo é importante? Sim. Mas não precisa ser um blockbuster com cem cenas, várias tomadas e depoimentos de mil pessoas. Se você conseguir passar sua mensagem de maneira convincente e com o mínimo de distrações, vá por esse caminho. Ache um cômodo bonito com uma boa iluminação, monte sua câmera, aperte o botão de gravar e fale com seus fãs, economizando tempo e esforço, para fazer o que aconselho em seguida…

2. Eu teria feito de mensagens diretas no Facebook minha prioridade, desde o começo

Se eu me lembro bem, acho que demorou entre 15 e 20 dias antes de eu perceber que a comunicação mais eficiente para conseguir doações é mandar uma mensagem privada no Facebook. NÃO os seguidores do perfil da minha banda. Os amigos do meu perfil pessoal mesmo.

Eu dediquei as duas primeiras semanas me preocupando com os aspectos grandes do lançamento: meu site, os newsletters por email, os tweets e fotos no Instagram, posts no Facebook etc.

DEPOIS eu comecei a escrever para as pessoas, uma a uma. E elas responderam. Eu diria que ao menos 25% das pessoas para quem eu escrevi pessoalmente acabaram me ajudando. (E você também retoma o contato com pessoas com quem você não fala há algum tempo, como bônus.)

Então, qual é o problema? Bom, demora UMA ETERNIDADE. Eu tenho mais de mil “amigos” no Facebook e eu não queria mandar Spam para eles, copiando e colando uma mensagem padrão. Então eu tentei personalizar as mensagens, pelo menos um pouco, para ressaltar o fato que eu sou um ser humano de verdade pedindo uma ajuda a outro, e isso significa que eu só podia escrever para umas 20 pessoas por noite. E além disso eu ainda precisava levar em conta meu emprego, família, (rara) higiene, e tudo mais que eu precisava fazer para a campanha durante o dia.

Então cá eu estou, descobrindo o que REALMENTE funcionou para angariar mais contribuintes, ao mesmo tempo que eu me aproximava das minhas metas. Quando eu alcancei a meta, eu só havia escrito para uma centena de amigos no Facebook, no máximo. Isso e menos de um quarto dos amigos que tenho nessa rede social.

Pode parecer um arredondamento grosseiro usar meus amigos de redes sociais como estatística, mas, no fim da minha campanha de arrecadação, 75% da comunidade que mais contribuiu para a meta ficou sem ser utilizada. Não pedi dinheiro para eles. Em suma: se eu tivesse começado a mandar as mensagens antes, teria ganho bem mais dinheiro.

O que me lembra de outra questão…

3. Eu deveria ter estabelecido uma meta inicial mais alta OU ter um plano de continuar “pedindo” com metas elásticas

Vou ser sincero. Apesar dos conselhos de todo o especialista de “crowdfunding” por aí, eu não me senti confortável abordando as pessoas individualmente para pedir contribuições depois que a meta tinha sido alcançada. Eu me sentia… sujo.

Eu sei, eu sei. Mancada! Mancada!

Eu estabeleci uma meta modesta para masterizar e manufaturar o álbum, além de pagar um relações públicas para divulgar o trabalho por três meses

Eu atingi essa meta em menos de 30 dias, com 30 dias restando para a campanha, de 60 dias, acabar.

Depois desses 30 dias, eu ainda tinha mais de 800 amigos no Facebook para quem escrever, apesar de esse ter se provado o método mais eficiente.

Então eu acho que há duas conclusões:

  • Eu deveria ter começado com metas mais altas, e planos mais específicos: orçamento para um videoclipe, apoio para a turnê, campanha de divulgação no rádio ou serviço de streaming! (Não falta lugar para gastar dinheiro na hora de lançar um álbum).
  • Ou eu deveria ter colocado metas elásticas na campanha desde o começo, e falado sobre elas sempre. Uma meta elástica poderia ter sido “Ei, se a gente conseguir arrecadar US$ 2.000 a mais, podemos fazer discos de vinil!” Se eu tivesse falado de metas elásticas desde o começo, talvez não tivesse ficado com vergonha na hora de sair por aí pedindo, depois de conseguir alcançar a meta. Não ouviria a voz dentro de mim dizendo:  “Você já alcançou sua meta, não seja ganancioso.”

4. Eu não teria oferecido tantas recompensas exclusivas

Foi bem divertido bolar um monte de recompensas exclusivas para quem doasse determinados valores. Mas, sinceramente, a maioria das pessoas doou US$ 100 ou menos. Algumas pessoas doaram US$ 500ou mais. Mas eu acho que posso contar em duas mãos o número de pessoas que contribuíram com uma quantia entre US$100 e US$500.

Entretanto, mesmo que só duas pessoas doem US$ 150, você ainda vai ter de FAZER a recompensa e enviar para eles! Isso pode significar custos de design, postagem e — por fim — tempo.

Em nome da sua sanidade, orçamento e horário, eu acho que a campanha tem de ter poucas recompensas exclusivas. A imensa maioria vai doar US$ 100 ou menos. E ofereça vários brindes somados para fãs que quiserem doar valores mais altos.

Bom, aí estão elas: as quatro coisas que eu teria feito de maneira diferente. Espero que isso te ajude.

Você mudaria algo nas campanhas de crowdfunding que fez no passado? Conte para a gente na seção de comentários, aqui embaixo. Acho que isso pode começar um bom papo.

Clique AQUI para ler mais dicas, em inglês, de como construir uma campanha no PledgeMusic.


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