10 jeitos de estragar uma música

Tá todo o mundo tocando sertanejo pós-universitário, em músicas de sete minutos. Que tal ir atrás? Que tal NÃO?! O blog SomosMúsica compilou as arapucas para evitar que sua música boa vire uma caca.

shutterstock_188825297-300x200Por Chris Robley

Como o Spinal Tap nos lembra, há uma fina linha entre o estúpido e o inteligente. Essa máxima é especialmente válida para o mundo da música popular, onde uma ação ruim pode matar uma ótima canção.

Aqui vai uma lista de jeitos de sabotar sua próxima música durante o processo de composição ou de gravação

1. Introduções longas — Já ouviu o ditado “Não deixe a gente entediado, chegue logo no refrão?” É música POP, não ópera! Você não precisa de uma grande abertura. Se sua introdução dura mais de 15 segundos, é bom que ela seja interessante.

2. Fazer uma canção muito difícil de tocar ao vivo — Mas eu escrevi ela desse jeito é um péssimo argumento para continuar tocando uma música, se ela não está funcionando. Ache o tom certo para o cantor conseguir atingir todas as notas confortavelmente. Ache a cadência certa para o baterista conseguir acompanhar. Tire alguns dos efeitos de jazz se seu guitarrista só pode tocar  pestana ao vivo.  Faça essas coisas ou ache uma banda nova.


Nota sobre mudar o tom de uma música
: se fazer a transposição é muito difícil para você como instrumentalista,  é só apertar o botão de “transpose” no seu teclado ou colocar uma pestana fixa (ou capo) no seu violão. Vai valer a pena.

3. Som titica — Som abafado PODE ser charmoso, mas isso é mais exceção que regra. Capte sua música com o melhor sinal possível e se certifique que todos os instrumentos que estão criando esse sinal também estejam com o som em dia.

4. Formatos de música que fazem o ouvinte se perder — O prazer na maioria das músicas mora entre o processo de tensão e de alívio. Para que haja um momento de surpresa, você precisa primeiro estabelecer alguma familiaridade. Se sua canção desafia as estruturas comuns de música ou fica mudando de instrumentos a cada 30 segundos, ou ainda nunca repete a letra, você provavelmente vai confundir muita gente, e não de um jeito bom.

No  outro lado da moeda, se sua música é muito repetitiva e nunca foge a uma sonoridade familiar, vai transformar o show numa festa da soneca.


5. Rompantes esquisitos —
 Talvez você ESTEJA entediado com sua canção, mas ninguém mais a ouviu. Não precisa ficar todo avant-garde para cima da gente e nos matar. Ouça o minute 1:50 DESSA música que tinha tudo para ser grudenta,

É, não faça isso.

6. Aderir demais às modinhas — Se você tentar copiar algo que é popular neste exato minuto, na hora que seu álbum já estiver gravado, mixado, manufaturado, e distribuído, sua música já será notícia de anteontem.

Além do mais, você já não está de saco cheio de todas essas bandas que imitam Mumford & Sons? Todo mundo ficará de saco cheio de VOCÊ também — mesmo antes de sua música ser lançada.

Além do mais, se você está usando a mesma técnica de composição, os mesmos instrumentos e uma produção parecida com a de todo mundo, você vai ficar datado em duas semanas. Um dia, você vai ouvir suas canções antigas e dizer “Nossa, isso era a cara de 2014, não? Que horrível!”

Nota de cautela: o pior jeito de fazer isso é ser uma banda que começa a imitar… A SI MESMA. Se você tem uma música de sucesso, lute para fazer outra melhor, não fazer ela de novo.

7. Você não vê perspectiva de fim — “Bohemian Rhapsody”é uma ótima música. Você nunca vai escrever algo nem com a metade da genialidade. Então talvez você devesse tentar escrever músicas que têm a metade da duração também.

Se você está passando da marca dos 5 minutos, é hora de se fazer algumas perguntinhas pesadas. Preciso mesmo dessa terceira repetição do refrão? Esse Segundo solo de guitarra é necessário? Eu preciso desse verso de número 12 (é, eu sei que o Bob Dylan fez músicas longas — mas você também não é ele)? Eu preciso mesmo de uma escaleta permeando a música? A resposta para todas essas perguntas é, com quase certeza, um sonoro “NÃO.”

Nota zen: Pense em Leonard Cohen enchendo caderninhos com letras em potencial para uma só canção, e depois escolhendo só um bocadinho delas para a versão final. Seja cruel assim com suas próprias composições.

8. Desleixo — Não vá gravar correndo. Treine, treine, treine. E, quando estiver no estúdio, não se dê por contente com gravações mais ou menos só porque o tempo está passando. Ninguém mais vai se importar se seu trabalho foi feito com pouca grana, ou sob muita pressão e num tempo diminuto. Tudo o que eles vão poder ouvir é o solo descompassado, o tom abaixo na sua voz e a microfonia dos seus amplificadores.

9. Letras ruins — É música pop. Ninguém espera que você escreva que nem o Shakespeare. Mas, poxa — pelo menos TENTE! Sua letras fazem sentido, mas não de um jeito cool como a dos Talking Heads? Tente de novo. Você está se agarrando às primeiras letras que vêm à cabeça? Tente de novo. Você está se apoiando em clichés pisados? Tente de novo.  Você está confiando que os Oooos e os Ahhhhs dos cantores que te acompanham vão trazer toda emoção de que a canção precisa? Poxa, tente de nova!

10. Seguir as regras — Há canções por aí que eu amo e que quebram todas as regras (mesmo aquela sobre copiar outras bandas).Então do que eu entendo? Esqueça-se desta lista e faça o que te parece certo para sua música. No fim, você vai ser seu pior crítico mesmo. Você é seu chefe.

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Eu sei que você tem ideias de como transformar uma canção do ano em … algo que parece ter saído de um lugar que lembra “ano”. Quais são seus pavores de composição e de gravação? Conte para a gente na seção de comentários, aqui embaixo.

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